segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cesare Lombroso, o homem que inventou o feio.


Durante milhares de anos os filósofos se preocuparam com o conceito de beleza, os filósofos gregos perderam longo tempo na sua definição, Platão, Aristóteles e outros idealizaram o seus conceitos de belo, mas nunca teorizaram centralmente sobre o feio.
Afrodite, a deusa da beleza.
Como os filósofos nunca conseguiram um consenso sobre o belo, olhando o feio como a antítese do outro, se o belo não foi perfeitamente definido, não se conclui nada sobre o feio. Aplicando uma lógica formal, o não belo, necessariamente não é o feio, pois se envolvermos conceitos de alma e de outros aspectos subjetivos, o limite entre os dois não fica definido.

Vestimenta da Idade Média
Não sou nada conhecedor de filosofia, mas vejo que após a busca da beleza pelos gregos cria-se na sociedade medieval um longo período em que a busca do limite, da ordem e da simetria, é passado para um segundo plano, adotando-se mais um conceito de beleza da alma intangível e não quantificável, tornando a beleza física, até certo ponto, algo desprezível.

Associava-se a beleza de Eva a tentação, associava-se a beleza a luxúria e ao pecado. Bem diferente dos Gregos e Romanos, cobria-se o corpo para que a imagem dele não fizesse o homem fugir do ideal platônico. O teocentrismo não permitia que os mesmos ideais de limite, ordem e simetria fizessem parte do corpo humano, nos templos, nas obras arquitetônicas se abandonavam as proporções clássicas para impor uma arquitetura que elevaria o homem aos céus.

São quase mil anos em que o corpo é eliminado da busca do belo, salvando-se por curto espaço de tempo os ideais Greco-romanos no renascimento, onde os padrões de beleza do corpo humano são discretamente recuperados nas artes, mas sempre guardando o pudor de expor o corpo pecaminoso e manchado pelo pecado original.
As Graças de Rafael Sanzio.
Pouco tempo durou esta busca aos padrões estéticos da antiguidade, havia à igreja de um lado e os cultos puritanos do outro, tendo um grande ponto em comum, a manutenção do decoro.

Torturas da inquisição, provavelmente contra uma bruxa! 
 Com a introdução da sociedade laica após a Revolução Francesa, começa uma recuperação do belo, não é a toa que a figura da Marianne tem os seios desnudos, seios volumosos, talvez mais por uma longa e tediosa espera, se traça um ideal de corpo humano volumoso e carnudo para que ele alimente bem os filhos da revolução.
Marianne - O Símbolo da Revolução Francesa
 Segue a diante o processo republicano e revolucionário, porém sempre tendo como sombra, as Igrejas cobrando pudor e recato. Isto vai até o positivismo, que suporta o estado laico, mas junto com ele o positivismo italiano, o mais tardio na Europa, trás um novo conceito que talvez nunca tenha ficado tão claro na história, a invenção do Feio.

Cesare Lombroso, um médico italiano de ascendência judaica, que na realidade se chamava Marco Ezechia Lombroso, este homem que talvez tenha trocado seu nome para tirar o nome do profeta de sua vida, seguiu as teorias outro médico alemão Franz Joseph Gall, que numa pseudociência dizia ser capaz de determinar qualidades morais e intelectuais somente pela forma da cabeça.

Gall supondo que o cérebro fosse dividido em regiões estanques onde a cada uma delas atribuía uma característica de personalidade. Assimetrias e bossas na formação da caixa craniana, definiam o caráter e se o indivíduo seria ou não criminoso ou um bom homem.

Coleção de Cérebros 
De certa forma a frenologia, pseudociência inventada por Gall foi uma predecessora de ciências modernas como a neuropsicologia e neurociência cognitiva, porém seu esquema era totalmente equivocado, conforme foi mostrado cientificamente mais tarde.

Cesare Lombroso, adotou e levou adiante as teorias da frenologia, ele como um homem de várias ciências medico, antropólogo, criminólogo e advogado extrapolou para outras regiões do corpo os conceitos da frenologia, fundando o que se conhece como a criminologia moderna. Lombroso supos que qualquer distorção de uma anatomia “normal” representava uma involução ou atavismo do homem. Mesmo antes da publicação da “Teoria da espécies” de Darwin, Lombroso via na não normalidade um desvio genético que levaria o homem a um desvio comportamental.

 

Suas teorias, hoje denominadas uma pseudociência influenciaram pensadores da época e posteriores. Sigmund Freud e Carl Jung seguiram em parte alguns de seus conceitos, e após a sua morte em 1909 ainda por muito tempo elas divergiram para diversos ramos, alguns úteis e outros totalmente reprováveis. Muitas teorias racistas foram baseadas neste determinismo fisiológico que com o tempo se mostraram completamente equivocados.


 

Porém um aspecto que ninguém ainda chamou a atenção foi à invenção do conceito de feio. Lombroso associava a deformidade a tendência ao crime ou a outra características nada elogiosas, excetuando algumas formas de loucura que Lombroso as considerou geniais, o que saía do padrão era doentio e mau.

Lombroso criou um museu que existe até os dias de hoje com o nome Museo di Antropologia Criminale “Cesare Lombroso” em que crânios, cérebros e mascaras mortuárias de criminosos eram e são conservados de diversas formas junto com centenas de outras peças que dizem respeito a crimes.

As máscaras mortuárias dão uma face ao crime, uma face não simétrica que indica que este homem com suas características atávicas não conseguiu atingir o ideal de beleza não criminosa. O seja, o não simétrico, o deformado, o longe do padrão normal, além de feio é criminoso, e como tal deve ser afastado e eliminado da sociedade, pois ele tem um determinismo genético. Conforme as teorias de Lombroso tanto o deformado como seus descendentes eram ou se tornariam ladrões, assassinos, estupradores e outras variantes. Para Lombroso um homem nascer feio era muito mais, era nascer criminoso.

Em última instância, Césare Lombroso inventou o feio.

 

Esconder desastres não é novidade? (Continuação I)

Em 20 de março de 2011, escrevi um post denominado "Esconder desastres não é novidade?", e neste post escrevi um parágrafo sobre o maior desastre em barragens que já ocorreu no mundo, a ruptura da Barragem do reservatório de Benqiao(板桥水库大坝), na China (em breve farei um relato mais detalhado do acidente, mostrando as reais razões do mesmo).

Devido a abertura do governo Chinês neste ano de intervalo é possível encontrar material em Chinês sobre este grande acidente, e lições valiosas foram tiradas e podem ser tiradas deste incidente. Porém se a China começa tirar seus segredos do passado, parece que no Brasil ainda continua a cultura de se culpar o tempo, ou mais recentemente o clima, como o vilão de tudo, e sobre acidentes do passado se mantém uma cortina negra como isto fosse vergonha. Excetuando Blogs locais como  O Blog de Barroquinha, Forquilha ontem hoje e sempre, Blog do Macario, Limoeiro do Norte e dezenas de outros, mais num lamento sertanejo, rememoraram os 50 anos do acidente no Açude de Orós no Ceará ocorrido em 1960. 

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Vista geral da Barragem Juscelino Kubistschek de Oliveira (Fonte DNOCS)

Foto aérea do Açude de Orós


Foto do açude rompido após um ou dois dias (não se tem maiores informações, nem o crédito das duas fotos)




Em comunicações técnicas este ocorrido é mostrado de forma superficial, como tivesse sido mais um rompimento de um açude qualquer, e nenhum estudo mostra a origem do acidente. Da mesma forma dos deslizamentos da Serra das Arraras, relatado em "Passado a crise volta-se ao bom senso." e outros, que causou vitimou em torno de 1700 pessoas, estes eventos em um passado não muito remoto (no caso da Serra das Arraras em 1967, o rompimento do Açude de Orós não fica tão longe assim.

Para darmos uma ideia do ocorrido, o número de atingidos por este rompimento em 1960, quando a população do Ceará era aproximadamente 3,3 milhões de pessoas (3 337 856), e para esta população o número de atingidos estimados na época foi de 170.000 pessoas. As estimativas do número de mortos no evento varia entre zero, estimativas oficiais, 50 ou 100 em publicações técnicas. Pelos números dá para se ver que estas estimativas, caracterizadas por números redondos (0, 50 ou 100) são meras especulações que contaram somente o número de afogados e não todas as pessoas que viviam em condições de extrema miséria e morreram tanto por afogamento como por fome e doenças geradas por veiculação hídrica.


Os relatos técnicos sobre o rompimento deste açude parece perdido na história, encontra-se alguns detalhes na web página do DNOCS dedicado a este açude. Para uma informação mais correta, vou simplesmente copiar aqui o que está escrito sobre o incidente.


"....Os técnicos do DNOCS elaboraram, então, dois anteprojetos para barragem em arco, com fundação sobre rocha: um em concreto gravidade e outro em maciço zoneado com argila, areia e enrocamento.

Motivos de ordem econômica e a disponibilidade de equipamento procedente da barragem de Araras, recém-concluída, induziram à elaboração da segunda alternativa de projeto, ou seja, a construção de uma barragem de terra zoneada.

Em outubro de 1958 foram escavadas as fundações, ficando prontas para receber o maciço previsto no projeto, tão logo cessassem as chuvas do ano seguinte.

O Engº José Cândido Castro Parente Pessoa, Diretor Geral do DNOCS à época, então determinava: "para realizar a construção do Orós em ritmo econômico, esta obra precisa ser levantada até a cota do coroamento (cota 209) entre junho de 1959 e março de 1960." E completava: "tão logo seja atingida a cota 185, todo o equipamento disponível para perfuração será localizado na área do vertedouro."

Em 1960, equipamentos de terraplenagem trabalhavam 24 horas por dia. As chuvas que chegaram bastante tardias e fracas no início desse ano, intensificaram-se em março de maneira violenta e passaram a comprometer o maciço em construção, pois o túnel, previsto para tomada d'água, não dava vazão suficiente àquela cheia excepcional.

A barragem ainda nem alcançava a cota 190 quando, com o recrudescimento das chuvas torrenciais, as águas começaram a lavar o maciço aos 17 minutos do dia 26 de março.

Diversas soluções foram intentadas durante a iminência do transbordamento. Com o início da extravasão das águas, julgou-se mais recomendável controlar o acidente. Para tanto, iniciou-se a abertura de uma vala no maciço, por onde a água passou a fluir em catarata, erodindo seu próprio vertedouro até a fundação da barragem e levando seu coroamento....."

Pode-se depreender que:

Primeiro: As soluções sugeridas pelos técnicos do DNOCS não foram as adotadas, partindo-se para uma terceira solução.

Segundo: Que o Diretor Geral do DNOCS tinha conhecimento que a obra deveria no mês de março de 1960 estar na cota 209m (cota de coroamento) e provavelmente por decisões políticas que retardaram as verbas (isto é uma hipótese) no mês previsto a barragem estava abaixo da cota 190, ou seja no mínimo 19 metros abaixo da cota de segurança.

Também se pode por outras fontes testemunhais ouvir uma história diferente, no Blog Ceará Fotos e História o relato já é outro, também vou coloca-lo como está escrito neste blog.

"Em 1960, com as obras ainda em andamento, a população ribeirinha viveu momentos dramáticos, quando em decorrência de uma grande cheia o Rio Jaguaribe transbordou e provocou o arrombamento parcial do Açude Orós, provocando uma enchente capaz de inundar o Médio e o Baixo Jaguaribe.

Logo a notícia logo se espalhou, e as cidades de Russas, Aracati, Itaiçaba, Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Icó e o distrito de Alto Santo, de nome Castanhão,  foram evacuadas com o auxilio de tropas do exército.

Estima-se que cerca de dez mil pessoas, não tiveram tempo de fugir e ficaram  isoladas, e a sobrevivência passou a ser uma questão de sorte,  diante da aproximação rápida das águas enfurecidas do Rio Jaguaribe. Os moradores acuados se amontoavam nos lugares mais altos, como Poço Comprido, São João do Jaguaribe, Ilha Grande, Quixeré e Tabuleiro Alto, em Russas. Precisamente às 10 horas do dia 26 de março um terrível estrondo foi ouvido a grande distância, e as águas armazenadas no gigantesco açude ultrapassaram o nível da barragem e invadiram toda extensão do Vale do Jaguaribe.  A enxurrada  destruiu o que encontrava pela frente, levando de roldão povoações, cultivos, propriedades e criações deixando como rastro, a morte, a miséria e o desabrigo, que vitimaram mais de trezentas mil pessoas."

As histórias não são bem as mesmas, uma é de um arrombamento controlado que era previsto e não foi evitado por problemas não detalhado na história e outro de uma ruptura não controlada que lavou parte do planície de inundação levando propriedade e pessoas.

Após o grande acidente, com prejuízos incalculáveis a população o senhor presidente da República na época, o médico Juscelino Kubitschek de Oliveira, ordenou que o açude fosse reconstruído o mais rápido possível. Numa notícia de jornal da época (também não achei direito a fonte), nara-se um diálogo entre o presidente da República e o Diretor do DNOCS, que vemos a seguir:


Até que ponto esta notícia é verdadeira, não é possível se determinar, mas devido a isto o Açude de Orós foi rebatizado Barragem Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, e muitas fotos da sua visita são encontradas na rede, bem mais do que o acidente propriamente dito.


sábado, 8 de setembro de 2012

A história plastificada.


As gerações de 60 e 70 não concordavam com o passado, resistiram, lutaram e até de certa forma perderam. Não concordavam com o passado, mas o conheciam, agora estamos noutro patamar, as gerações atuais, não concordam, mas também não discordam, porque o passado para eles não existe.

As novas gerações possuem o twitter, o facebook e outros, seguem o presente na ânsia de conhecer o futuro, mas esquecem que muito do futuro depende do passado. Passado para muito da atual geração é algo que ocorreu na semana passada, não no mês passado, nem muito menos no ano passado.

O imediatismo da comunicação, a quantidade de informações os impede de se preocupar com o ocorrido há dez, vinte ou trinta anos, não há tempo para verificar o que ocorre e muito menos o que ocorreu.

Segue-se ou curte-se, não se reflete!  O importante é olhar a foto ou o assunto da semana no seu facebook, nem os blogs de maior discussão estão prosperando. Pedir para alguém refletir  sobre o que ocorreu na década de sessenta ou setenta é impossível.

Plastificou-se a história, o que existiu no passado é um produto, um produto que é vendido processado, embalado e plastificado, uma visão falsa, mas palatável aos gostos do grande público.

Não que a informação não existe, ela existe e cada vez mais, e por mais paradoxo que seja, quanto mais informações existem, menos as pessoas se informam.

Seres jurássicos e anacrônicos, velhos de barbas brancas transitam por aí, poderiam estes, mesmo ultrapassados, numa verdadeira regressão aos tempos da cultura meramente oral, informar o que ocorreu ou o que pensavam os demais no passado. Porém, assim como as gerações de 60 e 70 não desejavam seguir o caminho de seus antepassados, as gerações atuais não querem saber do que passou, porque elas terão que nos próximos 15 minutos, seguir inúmeros twitters e curtir um número maior de fotos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O oportunismo eleitoral e a vida.


No ano passado as grandes revistas de automobilismo nacional fizeram sérias reportagens sobre a fragilidade dos carros nacionais demonstradas nos testes de Crash promovidos pela Latin NCAP, esta instituição formada da iniciativa conjunta da Federação Internacional do Automóvel (FIA), a Fundação FIA, a Global New Car Assessment Programme (GNCAP), a Fundação Gonzalo Rodríguez, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a International Consumer Research & Testing (ICRT), tem por objetivo acabar por vários lados o verdadeiro banho de sangue que é nosso trânsito tanto pela irresponsabilidade de nossos motoristas como da PÉSSIMA QUALIDADE EM QUESTÃO DE SEGURANÇA dos carros fabricados na América Latina.



Conforme David Ward, membro da Global NCAP, os modelos vendidos na AL podem até ter o mesmo nome dos modelos vendidos na Europa e USA, entretanto a maioria deles, quando é de venda exclusiva para oferecidos América Latina estão 20 anos atrás dos europeus e norte-americanos. As palavras textuais do secretário geral da Global NCAP foram: "Um dos problemas é que hoje não existe uma normatização em relação à segurança. A exigência de airbag e ABS a partir de 2014 é um começo. Mas as autoridades deveriam criar a legislação e oferecer acesso à informação, para que a segurança seja mais cobrada".
Importante notar que os modelos que tem sua comercialização no Brasil e exterior (Europa e USA) são devidamente depenados de itens de segurança como freios ABS e Air Bag, para ficarem mais acessíveis ao público. Esta falácia é desmentida no momento que um carro completo (completo significa um monte de itens supérfluos a segurança, mas indispensáveis aos “inteligentes” compradores latino-americanos).
Ar condicionado, direção hidráulica, vido elétrico, rodas de aro leve e outras bobagens, transformaram-se em definição de um carro “completo”, AirBag e ABS são frescuras segundo alguns Airton Sennas de plantão.

Agora, além da irresponsabilidade das autoridades federais, que para não perder um pouco do PIB devido uma provável e não confirmada perda nas vendas, não aumenta os graus de exigência nas normas de segurança, temos uma nova figura, o candidato a prefeito que quer acabar com multas por excesso de velocidade.

A proposta deste IMBECIL (vou usar palavras fortes, porque não há outra qualificação) é substituir as multas por educação. Provavelmente quando passar um automóvel frente a uma escola com o dobro da velocidade permitida, virá um agente de educação que solicitará gentilmente que o louco pare, e durante alguns minutos falará sobre o perigo que ele está levando as criancinhas.

Como o processo de educação é algo demorado, talvez lá pela vigésima segunda vez que o motorista passe pela escola ele se convença que deva ir mais devagar, talvez se tenha sorte que até lá ele não tenha matado alguém.

Se precisarmos alguma coisa neste país é de leis mais duras e maiores punições, enquanto países com grau de escolaridade média o dobro ou mais que o nosso e extremamente democráticos, colocam na cadeia infratores deste tipo, sem a mínima rejeição pública, este candidato a prefeito procura na liberação do HOMICÍDIO por atropeladores e outros tipos, achar um nicho eleitoral para sua campanha.

Escrevo este texto em homenagem aos meus dois maiores amigos, que perderam a vida em acidentes de automóvel.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Benefícios do transporte coletivo. Isto não tem preço.


Enquanto se fica discutindo o custo do transporte de Metrô nas grandes cidades, mostrando que os BRTs são a oitava maravilha do mundo, uma equipe de pesquisadores da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), publicou um fantástico trabalho intitulado “Evaluation of the air quality benefits of the subway system in São Paulo, Brazil” na revista “Journal of Environmental Management” (AQUI) Este artigo talvez venha se tornar um novo marco nas discussões do transporte público no Brasil.

Muito se fala no benefício do Metrô em termos de melhoria da mobilidade, mas sempre se contrapõe as vantagens desta forma de transporte ao custo de implantação (ou de sistemas não movidos a motor de combustão interna), com isto se justifica soluções de terceiro mundo para nossas cidades, como os BRTs. Este trabalho terá a possibilidade de mostrar que para a escolha de transportes movidos a eletricidade (Metrô, VLTs e Aeromóvel - no caso gaúcho) deve ser considerado bem mais do que mero custo de implantação.

A partir de dados de qualidade de ar que foram medidos durante greves do Metrô paulista em 2003 e 2006, eles verificam a variabilidade da qualidade do ar com e sem Metrô, eles verificaram que esta  variabilidade é espantosa. No momento que o Metrô para, naturalmente ele é substituído por outros meios de transporte (veículos particulares, ônibus e vans) movimentados por motores de combustão interna que aumentam a quantidade de poluentes no meio ambiente.


O fator mais  importante avaliado no estudo foi a presença de particulados no ar, a concentração dos particulados aumentou (PM10)  de 41,15mg/m³ para 101,49mg/m³ na greve de 2003 e de 43,99mg/m³ para 78,02mg/m³ na de 2006 (estimou-se que em 2006 a frota estava mais moderna e por isto não aumentou tanto a poluição).

Com estes valores eles estimaram o aumento de problemas cardio-respiratórios, e principalmente as mortes que causam estes problemas, eles atribuíram que das 56 e 67 mortes ocorridas no período por complicações cardio-respiratórias 8 e 6 (2003 e 2006) poderiam ser atribuídas a piora das condições ambientais. No trabalho são mostrados gráficos de monitoramento da qualidade do ar e estes gráficos deixam claro de forma inequívoca a correlação entre a parada do Metrô e a piora da qualidade do ar.

Através de estimativas conservadoras, foram avaliadas perdas econômicas (por diminuição de  produtividade e óbitos), mostrando que o uso do Metrô produz uma economia anual entre US$13.000.000.000,00 a US$18.000.000.000,00 por ano (não errei nos zeros, são 13 a 18 bilhões de dólares!!!), só no aspecto de saúde pública. Os autores chamam atenção que as perdas econômicas causadas pelo aumento dos engarrafamentos nem foram levadas em conta, mas se agregassem isto ao estudo, o cenário favorável ao uso do Metrô ainda aumentaria mais.

Chamo a atenção, que no momento que tentam nos empurrar goela abaixo os famosos BRTs para as cidades brasileiras, em contraposição ao transporte por Metrô, VLTs e Aeromóvel, não é levada em conta no cotejamento de soluções os problemas de saúde pública causados pela poluição e gerados pelos motores de combustão interna dos automóveis, ônibus, lotações e BRTs. Em nenhum momento à poluição ZERO dos veículos movidos a tração elétrica  (que até podem ser um pouco mais caros) é levada em conta, porém a saúde e a vida da população não tem preço.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um Blog não é um artigo científico!

Hoje em dia na Internet há centenas de Blogs que falam sobre assuntos científicos, a maior parte desses replica informações saídas na imprensa, pinçando as notícias que são mais de acordo com a linha editorial do Blog (os Blogs têm, na maior parte, linhas editoriais mais claras que até mesmo as revistas e jornais comuns). Este processo muitas vezes é proveitoso, principalmente quando a fonte secundária (artigos de jornais e revistas) são escritas por pessoas que conhecem mais ou menos o assunto (jornalistas especialistas em ciências, pouco existentes em nossas redações), entretanto há alguns desvios que induzem o leitor a erros graves.

O erro mais nefasto, é quando a linha editorial das fontes ou do Blog, propriamente dito, prioriza a prova de suas teses em relação ao que está escrito no artigo de origem, muitas vezes as informações são truncadas editadas e a fonte não é colocada. Nestes blogs aparecem coisas como:

- Cientistas dinamarqueses dizem que....

Sem citar o nome dos cientistas, sem a origem da informação, se foi uma revista, um livro, um congresso ou simplesmente uma entrevista em outro órgão de imprensa, esta afirmação pode ou não ter alguma validade, mas devemos simplesmente desconfiar do que está escrito!



......Press Released de laboratório ou até de um cientista que queira divulgar em primeira mão....

..........Má compreensão tanto pela origem como pelo fim .........

.........O blogueiro se metendo de pato a ganso...............

..........A falta de informação sobre a origem.......

..........a tentativa de escrever algo que se assemelhe a um artigo técnico..........


Porém acho que esta discussão deve ser começada, pois passar de algo que procura divulgar a ciência (vulgarização científica) para achar que isto é divulgação científica é uma nuance, mas é importante.

sábado, 12 de maio de 2012

Alemanha adota a técnica de bota e tira o bode da sala para resolver o problema energético II

A algum tempo atrás quando a Chanceler Alemã declarou que ia em X anos desligar todas as usinas nucleares alemãs e substituí-las por energias alternativas, postei aqui um artigo intitulado "Alemanha adota a técnica de bota e tira o bode da sala para resolver o problema energético.", só não pensei que o bode começaria incomodar os alemães tão cedo.

No Welt On Line, do dia 10 (vide aqui), já começou a reclamação quanto a carência de energia e a possibilidade de apagão no próximo inverno. A geração eólica e sua intermitência característica estão gerando danos no controle da rede alemã que até agora estão sendo muito bem gerenciados.

O próprio agente regulador da energia e outros setores, o Bundesnetzagentur, está pedindo para que se mantenha uma usina nuclear em reserva e adverte da dependência da geração nuclear de outros países.

O que está causando preocupações é o próximo inverno, pois a necessidade de energia aumenta para a calefação e as linhas de transmissão das alternativas estão atrasadas.

O que se vê realmente que o sistema de geração de energia na Alemanha está próximo ao stress e com algum incidente que levem a um apagão, pode ocorrer grandes perdas econômicas.

Delay, Deny, Defend: Uma volta ao fim do século XIX.

Delay, Deny, Defend O justiçamento de Brian Thompson da United Health Care da maior provedora de planos de saúde privados dos Estados Unidos...