segunda-feira, 12 de março de 2012

Novo tipo de divulgação de projetos públicos, reportagem exclusiva de um jornal.

Os portalegrenses receberam no dia de hoje mais uma novidade em termos de políticas públicas, a divulgação de um projeto que pretende "revolucionar" o transporte da cidade via uma reportagem de um jornal.
O prefeito José Fortunati (PDT-RS) anunciou a todos, via o jornal Zero Hora (vinculado ao grupo RBS, afilhado da Globo) que a partir de amanhã começam as obras de implantação do BRT (Bus Rapid Transit), para quem não sabe o que é um BRT, é uma versão 2.3 do antigo e popular Papa-Fila que foi introduzido em 1956 como uma solução definitiva do transporte urbano no Brasil.

O prefeito da cidade enviou aos jornalecos de plantão um "press release" de poucos parágrafos dizendo quanto os munícipes vão marchar em termos de grana, só a Zero Hora teve acesso maiores informações e mostrou em sua edição um mapa com o trajeto do BRT.

Há três anos foi muito discutido o uso destes BRTs e se começou a construir as estações de transtorno (desculpe errei, as estações de transbordo), entretanto o trajeto apresentado pela ZH não tem nada com o que foi discutido nos chamados "Portais da Cidade".

Além de informação nenhuma sobre o projeto (que acho que não existe) o prefeito nos deu duas surpresas, a primeira que deveremos por esta primeira etapa nos encalacrar em 58milhões de reais, e que poderemos escolher o nome do ônibus, como ligeirinho ou outras babaquices.

A população de Porto Alegre está sendo tratada como crianças que tem direito a escolher o nome do Hipopótamo no Zoológico (além de pagar o ingresso), e como é palhaçada mesmo sugiro um nome bem de acordo.
CACARECO 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Mais uma vez com as Eólicas, agora falando da “eficiência alemã”.


Dentro do espírito de cachorro vira-lata, que o brasileiro cultua, falamos da grande capacidade do povo alemão em matéria de organização e previsão em longo prazo. Mas será que é assim mesmo?

A primeira ministra alemã, Angela Merkel, prometeu logo depois do desastre de Fukushima no Japão não construir novas usinas nucleares na Alemanha e na medida em que as mesmas forem chegando ao fim de seu prazo de validade ir desativando-as e substituindo por fontes alternativas de energia.

Após o rompante ecológico de Merkel começam a surgir fortes dúvidas no seu país para obter esta tarefa. Segundo o cronograma as usinas eólicas, os biodigestores e as fotovoltaicas deveriam substituir as atômicas. 

O plano previa para em 2035 estar gerando 35% da carga total acrescendo 15% do que é gerado atualmente, para produzir energia mais estável (sem tanta variação no regime de ventos) grande parte das eólicas deverão ser usinas “offshore” (alto mar), mas exatamente nestas que estão surgindo os problemas.


O primeiro problema que surgiu foi da incapacidade dos fornecedores em entregar a tempo os cabos para ligar os geradores eólicos ao continente estando, por exemplo, as plataformas de HelWin1 e HelWin2, que deveriam começar a funcionar em 2012 com o seu prazo de funcionamento com 12 ou 18 meses de atraso. Das 10.000 turbinas eólicas que deveriam ser construídas para 2030 apenas 27 estão prontas e os 25.000MW até agora estão sendo gerados 135MW.

Além dos problemas dos cabos a tecnologia para instalação das torres no Mar do Norte (sujeito a fortes tempestades no inverno) não está perfeitamente equacionada, dos doze meses do ano as empresas que estão instalando os geradores eólicos só estão conseguindo trabalhar dos meses de maio a setembro, ou seja, seis meses por ano.

A choradeira dos fornecedores é tanta que as promessas de financiamento dos parques eólicos estão diminuindo, dos 86 projetos apresentados apenas 24 foram aprovados e apenas 4 estão em operação (os em regiões mais favoráveis).

Com tudo isto a indústria alemã começa a fechar algumas fábricas tradicionais (Usina Krefeld de aço inoxidável da Thyssen-Krupp, que foi vendida para os concorrentes, e será fechada no final do próximo ano).

A energia solar também não vai muito bem das pernas, o sol está meio que falhando na Alemanha, em janeiro deste ano os 1,1 milhões de coletores solares praticamente geraram zero em energia, para complementar o que não existe, energia elétrica está sendo importada da França e da República Checa ou também estão religando antigos geradores a óleo diesel. Isto tudo ocorre apesar de até 2011 já se tenha investido nada mais nada menos do que 100 Bilhões de Euros. A energia solar consome na Alemanha (Lei de geração de renováveis – 20 anos de produção até 2007).

A geração de energia solar, no momento que começou a ser sugerida como umas das alternativas para a indústria começaram a aparecer os custos escondidos. O Rhine-Westphalia Institute for Economic Research (RWI) calculou a fatura que será apresentada aos consumidores somente para os subsídios das instalações conectadas em 2011, o valor é de 18 bilhões de Euros em 20 anos. O RWI calculou o impacto da energia solar nas famílias alemãs, resultando num sobrepreço de 200 Euros por ano (além do custo da eletricidade).

Em resumo, atualmente o preço da energia na Alemanha é de 16,7 Euros/KWh, só perdendo para a Dinamarca (campeã mundial em energias alternativas – 20,6 Euros/kWh) e para a Itália (17,5 Euros/KWh), se for retirado a produção nuclear aumenta até 2020 em 20% o preço, ultrapassando a Dinamarca e inviabilizando parte da indústria Alemã.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Alemanha adota a técnica de bota e tira o bode da sala para resolver o problema energético. CONTINUAÇÃO

Conforme escrevi em maio do ano passado a aventura da Alemanha se aventurar a substitur toda a energia nuclear por energia “limpa” parece começar a fazer água.

Passado o momento inicial de constrangimento da energia nuclear o pessoal começou a fazer as contas e parece que elas coisas não fecham. A Siemens calculou o investimento necessário para fazer frente a todo este sonho resultaram em nada mais nada menos 1,7 trilhões de Euros (aproximadamente 4,5 Bilhões de Reais), ou seja 2/3 do PIB alemão.

O interessante é que no momento começam a falar na utilização do gás que a conversão custaria em torno de 1,4 bilhões de Euros, exatamente como previ, colocaram o bode na sala e agora começam a mostrar as alternativas.

Estamos esperando o próximo passo, o início de projetos para a construção de usinas de geração de energia termoelétricas a gás.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Alemanha adota a técnica de bota e tira o bode da sala para resolver o problema energético.

Tem a famosa piada da família que estava descontente porque a casa era muito pequena e não cabia mais ninguém na sala, o sábio e velho pai chegou um dia na casa com um bode fedorento e o colocou na sala. Durante uma semana a gritaria foi geral, todos reclamavam, quando todos estavam prontos para uma verdadeira revolução, o pai levou o bode embora. Resultado, todos acharam fantástico e por muito tempo ninguém reclamou da falta de espaço!


A primeira ministra alemã acaba de noticiar a colocação do bode na sala, não é que o povo germânico irá criar caprinos com maior intensidade, mas vai fechar todas as usinas atômicas até 2022. O que acontece com isto? O percentual da produção de energia por usinas nucleares na Alemanha é de 23%, e as ditas fontes renováveis que são aproximadamente 16,5% deverão substituir a energia nuclear. Porém estes números escondem muita coisa.

Produção de energia na Alemanha  (Renewable Electricity Generation in Germany)



































Primeiro, desses 16,5%, 3% são provenientes de aproveitamentos hidroenergéticos, que desde 1993 não tem nenhum crescimento (vide tabela acima). Por outro lado as taxas da eólica e da biomassa parecem estar tendendo a estagnação, restando somente a mais cara de todas e fotovoltaica.

A grande incógnita está exatamente na energia fotovoltaica, se ela continuasse a tendência quase que exponencial de crescimento, mais ou menos em 2015 ela atingiria o equivalente da eólica. Entretanto os custos da energia fotovoltaica num horizonte de cinco a dez anos não tem nenhuma tendência de cair substancialmente. Os custos reais de energia fotovoltaica são dificílimos de serem achados, sabe-se o custo dos painéis, mas este é um dos custos, os outros são verdadeiros mistérios escondidos do grande público.

Outro fator importante que deve ser levado em conta é a quantidade de radiação solar que recebem os países do norte, podemos dizer que a relação entre a energia solar gerada próximo ao equador e na Alemanha é de 4 para 1, ou seja por mais eficiente que seja o seu aproveitamento, em termos comparativos a Alemanha sai com uma desvantagem que é difícil superar.

Mapa da variação da Irradiância no Mundo.


Em resumo vem à segunda parte, com a impossibilidade de gerar energia a um custo razoável levará a segunda opção, a geração com carvão ou gás natural, que somando essas reservas, dentro do consumo atual podem-se garantir no mínimo uns 50 a 80 anos, ou seja, tira-se o bode da sala.

domingo, 20 de março de 2011

Esconder desastres não é novidade?


Como queria mostrar os problemas que surgem nas obras hidráulicas em relação aos acidentes em usinas nucleares, procurei na Internet algumas figuras e fotos recentes de grandes desastres ocorridos em barragens, para meu espanto, vejo que há uma verdadeira cortina de fumaça que se faz sobre os grandes desastres em obras de engenharia.

Para ficar nos exemplos que conheço mais, vejamos alguns exemplos. A barragem de Benqiao na China. Esta barragem foi construída em 1951 logo depois da segunda guerra sem grandes dados hidrológicos que permitissem o dimensionamento correto do vertedor, tinha por objetivos gerar energia e defender os habitantes do vale do rio Ru de cheias periódicas que matavam milhares de pessoas.

Barragem de Benqiao depois de rompida.


Em 1975 após longas cheias o vertedor desta barragem foi insuficiente e rompeu, causando um número de mortes que beirou as 145.000 pessoas logicamente num país que tem 80.000 barragens e com a precariedade material e técnica da época era de se esperar algum problema, mas as autoridades esconderam o que puderam o desastre até mais ou menos 1995, quando se começou a ver a morbidade da ruptura da barragem.

O mais enigmático é o caso da barragem de Morvi ou Morbi na índia em 11 de agosto de 1979, onde a barragem no rio Machhu rompeu e há estimativas de mortos que variam de 1500 a 15000, ou seja, não se contou nada nem se estimou bem. Esta barragem também estava com seu vertedor com uma vazão para 5600m³/s e passou uma vazão em torno de 16300m³/s.

Ilustração de uma publicação da Índia sobre o rompimento da barragem (o desenho não foi feito por nenhum especialista!)



Acidentes como estes (com um número muitas vezes menores do óbitos) ocorrem todos os anos no Brasil e no mundo, principalmente pelo número de barragens para os mais diversos fins que existem no mundo inteiro, conforme o porte das barragens poderíamos dizer qualquer número. Grandes barragens, segundo o critério da Comissão Internacional de Grandes Barrragens como a altura superior a 15m podemos pensar em 50.000 barragens. Porém se formos um pouco mais elástico e considerarmos barragens menores com capacidade de gerar grandes problemas este valor pode ser quase multiplicado por 10,

Logo com este número estúpido de estruturas, o mais normal que se encontre alguns projetos mal feitos, alguns empreiteiros desonestos e muitos políticos apresados em inaugurar uma obra na sua gestão. Cada caso é um fator de risco na segurança dessas estruturas, logo esconder os desastres é não permitir que as próximas gerações de técnicos apreendam com estes.

sábado, 18 de setembro de 2010

WHAT IS NOISE, WHAT IS REAL? HOW IS VERIFIED THE CONCENTRATION PEAKS OF CO2 AND METHANE IN ICE CORES?

The presence of CO2 or Methane in ice cores extracted from Antarctic or Greenland is the principal way to verify part of Earth environmental history. The two more important projects at this moment are considered Vostok and Epica projects. Both are a multinational projects. In the Vostok Project  a deep hole of 3.623 meters was made on a glacial lake in a glacial URSS base in Antarctica. In the European Project for Ice Coring in Antarctica (Epica) a hole of 3.734 meters deep was made in the C Dome of Concordia Station ( Coordinates 75°06’S; 123°21’E and  elevation of 3.233 meters over sea level), concluded in January 17, 2006.

The extracted samples of these holes are carefully divided in segments of tenths of centimeters. These segments had his age dated by convenient methods with controlled uncertainty to attend the project objectives.

With these samples dated, many radioisotope analyses (deuterium) were done to calculate the concentration of CO2, Methane and N2O and verify the temperature.

By considering the absolute dating process correct and the concentration values of CO2, Methane and N2O in the samples, it´s possible to estimate macro-variations of whether in the last 650.000 years.

Now we go to the point. Is it correct to say that the concentration of CO2 is now the biggest of all times, by considering only these datas? Certainly not!

If we look the original data (which is open for everybody) on page of NOAA at: http://www.ncdc.noaa.gov/paleo/icecore/antarctica/domec/domec_epica_data.html
It´s possible that a little, but important aspect are not consider by the people. The interval time scale to observe the palioclimatology variations and the time scale used in the analogue studied events.

 Considering all determination corrects (?), without any problem in chronology process or other related procedures, we see that  the elapsed time between the base and the top of each ice sample is roughly 450 years ( more exactly 300  to 550 years ). As a minimal interval, it is necessary to work with a average of 300 years.

What is the problem in all that? Simple: means properties which varies during 300 years can’t be used to estimate peaks in 30 to 40 years. This is a basic signal analysis problem, the sample rate theorem known by Nyquist-Shanonn. When we desire to reconstruct a signal with “B” frequency spectrum range we need to guaranty “2B” frequency sample of the original signal.
 
For example, if we want to reconstruct the behavior of any variable in an historic period of 50 years, a sample with 25 years is required.

This can be considered filigree, but this care with data is essential and we can’t forget these details when we are talking about extremes values of a signal.

If we are analyzing a maximal point which had happened millions years ago, and once this value is a peak value, is mandatory an inflection point on the curve data. If we had not the adequate sample frequency, the result will be certainly atennueted.

I hope so I’m wrong, because I don’t understand why dozens of researchers use these “ice cores” means data without considerations about the incompatibility of acquisition sample and data utilization for their conclusions. 

To ilustrate the problem, see the following figure.



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O que é ruído, o que é real? Como se verificam nos testemunhos de gelo picos de gás CO2 e Metano?

O principal meio de verificar a presença CO2 ou metano ao logo de parte da história da Terra é feito através de testemunhos de gelo retirados da Antártica ou da Groenlândia. Os dois projetos multinacionais mais importantes que foram levados a cabo neste sentido, foram os de Vostok a o Epica. O Vostok perfurou aproximadamente 3.623 m sobre um lago glacial de mesmo nome situada próximo a uma base glacial da ex-URSS na Antártica  e o Epica, sigla de European Project for Ice Coring in Antarctica, perfurou no Domo C da estação Concórdia (coordenadas 75°06’S; 123°21’E e elevação de 3.233 m sobre o nível do mar) aproximadamente 3.734m, terminando o furo em 17 janeiro 2006.

Retirando cuidadosamente os testemunhos destas perfurações, estes foram divididos em trechos de algumas dezenas de centímetros. Estes trechos foram datados por métodos convenientemente escolhidos com precisão satisfatória para seus objetivos.

De posse destes pequenos segmentos de gelo datados, foram realizadas análises diversas de radioisótopos de deutério para por analogia verificarem a temperatura da Terra, e outras análises para obter a concentração de CO2, Metano e N2O.

Considerando toda a datação correta, considerando que as estimativas de CO2, Metano e N2O, tem-se uma idéia das macro-variações do clima nos últimos 650.000 anos.

Agora vamos ao que interessa, levantado todos estes dados, pode-se dizer corretamente que a concentração de CO2 é a maior de todos os tempos? Certamente que não.

Se olharmos os dados originais na página que a NOAA disponibiliza a quem quiser,  http://www.ncdc.noaa.gov/paleo/icecore/antarctica/domec/domec_epica_data.html
Veremos um pequeno detalhe que parece escapar a todos, a escala de tempo dos intervalos de observação palioclimatica e a escala de tempo do evento em que se quer traçar uma analogia.

Considerando certo tudo o que foi determinado, sem discutir as incertezas da datação e outros problemas, vemos que a estimativa de tempo entre o a base e o topo dos testemunhos é de aproximadamente 450 anos (300 anos no mínimo e 550 no máximo), ou seja, se trabalha com um valor médio de 300 anos no mínimo.

Qual o problema disto tudo? Simples, médias de propriedades que variam em 300 anos não podem ser utilizadas para estimar picos de 30 a 40 anos. Isto é um problema de análise de sinal, conhecido como teorema da amostragem de Nyquist–Shannon. Quando se quer reconstruir uma amostra de freqüência B, é necessário garantir uma Taxa de Nyquist de freqüência 2B.

Passando para o presente caso, se quisermos reconstruir uma amostra histórica de período de 50 anos, por exemplo, o nosso padrão de amostragem deve ser de 25 anos.

Poderia-se dizer que isto é um preciosismo, mas este tipo de cuidado quando se trata de valores extremos de um sinal a exigência torna-se excencial.

Se estivermos analisando um máximo pontual que pode ter ocorrido a milhares de anos, e como este valor é máximo há necessariamente um ponto de inflexão na curva, se não for seguida a Taxa de Nyquist, o resultado será CERTAMENTE ATENUADO.

Espero estar errado, pois não compreendo porque dezenas de autores que utilizam os dados médios dos “ice cores” não tenham se dado conta da incompatibilidade da geração dos mesmos com a sua utilização.

Para exemplificar o problema a figura a seguir mostra a comparação entre os dados atuais de Mauna Loa com os dados de Ice Cores.



Delay, Deny, Defend: Uma volta ao fim do século XIX.

Delay, Deny, Defend O justiçamento de Brian Thompson da United Health Care da maior provedora de planos de saúde privados dos Estados Unidos...