21 outubro 2019

Se Sérgio Porto ainda tivesse vivo, ele pediria parte dos salários dos altos signatários da República.


Sérgio Porto (1923 — 1968), conhecido pelo pseudônimo de “Stanislaw Ponte Preta”, foi um cronista, escritor, humorista, radialista, teatrólogo e compositor, que além de possuir uma cultura excelente tinha um senso de humor fantástico e refinado.
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Ele fazia crônicas ácidas que criticavam a moralidade da sua época e quando foi necessário a ditadura militar, faleceu precocemente aos 45 anos e a sua última frase que proferiu no seu leito de morte para a pessoa que o estava cuidando mostra exatamente quem foi Sérgio Porto “Tunica, estou apagando. Vira o rosto prá lá que não quero ver mulher chorando perto de mim.
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Ele era um profissional fantástico conhecido tanto por suas crônicas, mas também por suas frases, como: “Imbecil não tem tédio” ou “Basta ler meia página do livro de certos escritores para perceber que eles estão despontando para o anonimato” como centenas de outras.
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Sérgio Porto escreveu três livros exatamente sobre aqueles que ele criticava, chamado: “FeBeAPá – Festival da Besteira que Assola o País”, onde há uma coleção de besteiras que foram colecionadas por Sérgio Porto, tais como esta: “Policiais da Dops e elementos do Exército invadiam a casa da escritora Jurema Finamour e carregavam diversos objetos, inclusive um liquidificador. Vejam que perigosa agente inimiga esta, que tinha um liquidificador escondido dentro de sua própria casa.” Só para quem não sabe Dops era o Departamento de Ordem Política e Social do Brasil, a polícia política, onde qualquer coisa que provocasse estranheza dos policiais e outros agentes públicos, militares, por exemplo, era coisa de comunista.
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Pois a morte poupou Sérgio Porto de uma velhice mais prolongada (teria 96 anos) e também de ver parte de seu humor seria indevidamente usurpado pelos altos cargos da República, pois simplesmente as piadas já saem prontas das bocas e ações daquele que ocupa o cargo de presidente e seus diletos primeiro e demais escalões.
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Até a morte de Sérgio Porto, as piadas eram produzidas em sua maioria por prefeitos, vereadores, deputados e poucas por ministros e presidentes. Isto ocorreria principalmente porque nos cargos mais elevados, existiam pulhas com mais cultura e com senso de ridículo. Jamais teríamos um ridículo ministro da educação que faria uma grotesca imitação do famosíssimo Gene Kelly, um dos mais respeitados atores e dançarinos do cinema mundial cantando e dançando a canção “Singin' in the Rain” que deu o nome a um musical clássico de Hollywood. Também as performances da Ministra Damares, os surtos do Ministro Guedes e o besteirol do nosso Ministro das Relações Exteriores além das frases e mensagens escatológicas daquele que ocupa a cadeira da presidência (não vou falar do haviam do ministro da educação, pois caio frequentemente neste erro horrível e roto não deve falar de descosido).
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Isto tudo causaria um sério problema para Sérgio Porto, pois as imagens, as falas e os escritos destes personagens, por si só já são uma piada pronta, não necessitando nada mais do que as colocar em evidência.

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