07 outubro 2019

A Natureza odeia o vácuo. Trump e Bolsonaro não caíram ainda porque criam um vácuo.



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Qual a analogia da situação de Trump e de Bolsonaro? Os mais apressados vão dizer que os dois levam a uma política que namora fortemente ao fascismo, o que é verdade, mas no caso do presidente norte-americano as críticas e lutas de sua oposição do partido Democrata não está baseada neste fato.
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A grande preocupação dos setores dentro do establishment norte-americano e brasileiro é no desarranjo econômico que tanto um como o outro temem com a presença destes dois governantes, mas não é quanto as propostas que os mesmos tem de reforma dos poderes do capitalismo dentro de cada país, mas sim da natureza da contrarreforma que pode surgir tanto em um como em outro país. No momento em que Trump sentiu-se ameaçado por seus rivais democratas ele agiu estrategicamente colocando um impasse na contrarreforma proposta pelos seus rivais. Mas vamos analisar melhor o caso norte-americano para entendermos melhor o problema.
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Trump desde o início de seu governo vinha sendo ameaçado por um processo de impeachment, razões como a sua provável sonegação de impostos que ele sempre fez seria a solução Al Capone de derrubada de Trump, ou seja, exigir suas declarações de imposto de renda e a análise das mesmas, faria o mesmo que o governo norte-americano fez com o famigerado líder da máfia, prendê-lo por sonegação de impostos.
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Além deste procedimento poderiam ser achados outros motivos, entretanto já pensando no pós-impeachment os democratas que dominam este partido viram que com a derrubada de Trump criar-se-ia um vácuo político que no início do governo seria ocupado pela “esquerda” democrática representada pelo senador Sanders, que diferentemente do que Trump causaria um abalo mais profundo do establishment norte-americano que seria extremamente difícil de corrigir o seu rumo.
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No início da campanha eleitoral norte-americana surgiu com força o ex-vice-presidente Joe Biden, alguém que é ligado a política conservadora do partido democrata e a indústria militar, ou seja, uma oposição palatável a todos os horrores que produziu os governos Barack Obama, ou seja, o mesmo de sempre.
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Trump como é um político nato, simplesmente bateu exatamente na base que o substituiria no caso de uma próxima eleição, mostrou claramente que este político através de seu filho levou a política intervencionista norte-americana à sua origem.
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Agora qual o problema dos democratas, privados de um substituto a Trump que agradaria a todos do establishment, sobrando na campanha a senadora democrata Elizabeth Warren que é tida pelos norte-americanos (principalmente pela grande imprensa) como uma “progressista”, porém uma progressista que foi contra a vontade de Trump de retirar as tropas invasoras do país tanto da Síria como do Afeganistão, pois deveriam consultar os seus “aliados” também invasores.
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Devido a fragilidade eleitoral de Warren que vem sendo sustentada mais pela imprensa norte-americana do que outra coisa, ela pode numa disputa direta com Sanders perder as fajutas e eternamente fraudadas primárias, onde alguns milhões de eleitores do partido democrata desaparecem das listas eleitorais ou sofrem outros tipos de fraudes. Porém como Sanders apreendeu um pouco na sua última campanha provavelmente a fraude diminuirá.
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Em resumo, sem Joe Biden na campanha, desgastado por uma série bem grande de escândalos, a incerteza volta a campanha eleitoral e até pode haver o surpreendente resultado de ser indicado um candidato que a maioria do eleitorado democrata deseja, algo meio surpreendente no sistema eleitoral norte-americano e que ocorre de tempos em tempos. Falando com outras palavras, criando-se um vácuo pelo desgaste político de Trump e de Joe Biden a chance de haver surpresas crescem na campanha eleitoral norte-americana.
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Agora voltando ao nosso país, Bolsonaro, diferentemente de Trump, é de uma fragilidade imensa em termos eleitorais e até em termos de se manter na presidência até o fim do mandato, caso fosse vontade de prosperar um processo convencional de derrubada de presidentes, ou seja, um processo de impeachment, dezenas de razões poderiam ser elencadas, porém da mesma forma que Trump cria-se um vácuo.
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Bolsonaro sendo derrubado, de uma forma “legal” ou simplesmente levado a renúncia ou mesmo derrubado pelo povo (a saída mais democrática), o vácuo nunca será ocupado por seu vice que de popularidade nem para síndico de prédio se elegeria, com isto a única opção lógica para a sua substituição é o ex-presidente Lula. Este com algumas semanas de campanha eleitoral arrebataria o cargo com folga no primeiro turno, porém Lula é o candidato detestado pelo grande capital, pois seu espírito de composição com a direita deve ter ido pelo esgoto no momento que ele entendeu na pele o que o Imperialismo quer com ele.
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Desta forma Bolsonaro por mais bobagens que faça e que diga, continuará na sua posição enquanto não acharem um candidato como o Joe Biden era, porém como a base do Partido dos Trabalhadores está sentindo na pele o que representa a atual política governamental, não aceitará composições pela cabeça e pactos dos mais diversos tipos para que tudo permaneça como está.
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A direita procura desesperadamente seu representante que substitua Bolsonaro, mas devido a invasão política de um bando de acéfalos do PSL, que pouco a pouco vão migrando para climas mais agradáveis e levando com eles todo o cheiro desagradável dos seus passados.
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Artistas globais, são ventilados para o cargo, Lenins Moreno na “esquerda” aparecem na mídia e são incensados por ela, mas não deslancham, os governadores da oposição, que poderiam num ato de desespero serem cooptados para posar de uma esquerda comportada, estão sendo tão comportados que deixam um rastro de medidas antipopulares e antinacionalistas que numa campanha seriam desmistificados até por um “Cabo Daciolo” derrubaria qualquer pretensão destes “esquerdistas” tipo Lenin Moreno.
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No momento Lula está preso e ficará preso enquanto não acharem alguém que possa participar de alguma nova fraude eleitoral, pois Bolsonaro cria um vácuo e a natureza odeia o vácuo.

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