16 setembro 2019

Cuidado Bolsonaro, o verdadeiro Führer está na Virgínia!

A lógica da ascensão dos governos fascistas de raiz, o italiano e o alemão, sempre foi de montar milícias paramilitares e quando os governos democráticos da época estavam fracos, mesmo com minoria parlamentar e com menos de 1/3 do apoio da população assumiam o poder através de um estratagema parlamentar (legal) tomavam o poder para rapidamente colocar na ilegalidade todos os movimentos políticos que não fossem os vinculados ao poder dos partidos fascista e nazista.
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Em todas as análises políticas da situação nos últimos quatro anos, sempre ressaltei que este tipo de tomada do poder passaria obrigatoriamente pela constituição de milícias e para que essas permitissem a chegada do poder de um regime de dominação integral, como o fascismo italiano e o nazismo alemão.
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No caso brasileiro fica claro que o que chamamos de milícias são grupos criminosos que podem ter importância local, mas devido a origem dos mesmos, não há um comando central e disciplinado, logo é impróprio para dar golpes, pois não contam com o apoio da elite do poder que tem seus próprios esquemas de jagunços ou mesmo apoio de tropas militares ou de polícias militares.
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Esta atipicidade da situação brasileira impede não só a formação progressiva de um estado classicamente totalitário de partido único, como falha em outros pontos quanto ao líder escolhido.
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Muitos intelectuais de várias famílias, desde a esquerda até mesmo a direita, passam a vida a repetir que os governos fascistas são absurdos democráticos que contrariam o liberalismo econômico pregado pelos partidos que abertamente professam esta fé. Tanto Mussolini e principalmente Hitler são tratados como monstros que simplesmente não são enquadrados como humanos e muito menos as capacidades intelectuais dos mesmos foi e ainda é subestimada, porém numa análise clara e não com viés moral da história se verifica que Mussolini foi um forte ideólogo do movimento fascista internacional que sabia escrever, discursar para as massas e inebria-las com seus discursos, obtendo durante um período da história do fascismo italiano apoio de amplos setores da população. Da mesma forma Hitler com sua obra única, Mein Kampf, conseguiu atrair para o nazismo boa parte da população alemã manejando habilmente conceitos como o anticomunismo, a supremacia da “raça ariana”, o ódio as minorias como judeus, ciganos e outras, que muitos estavam presentes no pensamento alemão da época. Ou seja, não dar os créditos de uma habilidade intelectual e retórica totalmente falaciosa aos escritos e discursos destes dois líderes é simplesmente tapar o sol com a peneira. Se compararmos Bolsonaro tanto com Hitler como principalmente Mussolini ele é um verdadeiro anão intelectual, ou seja, uma figura caricatural tanto do Führer como do Duce.
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Agora voltando ao caso brasileiro, a atual conclamação do Guru da família Bolsonaro, a criação de um organização miliciana para apoiar incondicionalmente o atual ocupante da cadeira da presidência, após que este está já no poder, pode parecer completamente anacrônica, pois como se viu nos casos tradicionais Italiano e Alemão, depois do Duce e do Führer assumirem o poder, estas milícias tiveram que ser controladas (a italiana, menos organizada) ou simplesmente executadas a sua cúpula e controlada a base (a alemã, que tinha uma organização militar perfeita, por isto exigiu a execução física de seus líderes) para garantir o apoio necessário das forças armadas e das elites econômicas italianas e alemães.
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Então a formação fora de tempo de milícias bolsonarianas parece um verdadeiro contrassenso, pois criarão problemas com a base de apoio tradicional da direita, inclusive do exército. Porém se fizermos um pequeno giro lógico na história e compreendermos que o Führer verdadeiro não é aquele que ocupa a cadeira de presidente, mas sim outro, por exemplo o astrólogo da Virgínia, é possível criar um cenário imaginário de uma utilidade destas atuais milícias bolsonarianas para o verdadeiro golpe daquele que mais pensa no poder.
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Vamos imaginar o seguinte cenário, através de uma operação de falsa bandeira faz-se um atentado exitoso contra o ocupante da cadeira da presidência. Quem irá aparecer num traumático funeral de um presidente? Provavelmente os filhos do presidente e acompanhando o seu féretro aquele que monta todo o esquema ideológico do atual presidente, ou seja, o astrólogo da Virgínia.
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Com o impacto mediático deste atentado, que seria atribuído a esquerda, se abriria condições para que as milícias bolsonarianas, agora sob o comando direto do guru do grupo começassem a sua função de desordem e de massacre direto da esquerda. Seriam fechados os partidos de esquerda e qualquer coisa que estivesse em oposição ao governo e numa situação de comoção pública exigir-se-ia novas eleições sem nenhuma oposição.
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Feito isto, um dos filhos do falecido presidente, aquele que fosse mais fiel ao Guru, poderia ser eleito e colocando este último como uma espécie de primeiro ministro. Neste momento as milícias bolsonarianas teriam o mesmo destino dos camisas negras ou pardas, a eliminação, e se fecharia o ciclo na direção de um estado totalitário de partido único, e eliminando-se o que mais impede a radicalização à extrema direita do atual governo, a própria presença de um falso líder inábil como o próprio Jair Bolsonaro.

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