20 agosto 2019

Dá onde não se esperava nada está surgindo a resistência do precariado: Dos YouTubers.

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A noção que muitos tem dos youtubers, ou seja, dos produtores de conteúdo (vídeos) que são colocados na plataforma do Google, o YouTube, é que são um bando de adolescentes cheio de espinhas que se divertem dizendo besteira e fazendo micagens nos seus vídeos.
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Pois bem, estes youtubers que estão cada vez ficando mais profissionalizados com equipes de redação, produção e outras tarefas, estão sendo simplesmente sendo explorados pela plataforma da mesma forma que os proletários do início da revolução industrial eram explorados pelos patrões. E poderíamos dizer que até são ainda mais explorados do que seu companheiros dos séculos passados, pois a plataforma YouTube muda suas regras conforme sua vontade, não paga aos produtores de vídeos quando eles não observam regras que eles mesmos não sabem quais são, ou seja, o capitalismo selvagem mais escrachado dois últimos séculos.
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São milhões de produtores de conteúdo que se esmeram o máximo possível para obter audiência e quando as obtêm vem a surpresa, a chamada desmonetarização do vídeo. Ou seja, as plataformas como a citada simplesmente recebem o dinheiro das propagandas que independente do conteúdo são passadas durante o vídeo e o dinheiro entra na caixa da plataforma e nem é pago um valor arbitrado pela própria plataforma. Quando o produtor entra com um recurso, muitas horas depois, quando já passou o pique das visualizações o vídeo é monitorizado, perdendo o produtor de conteúdo a maior parte das migalhas que lhe são atribuídas.
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Na realidade produtores de conteúdo do YouTube é um exemplo das novas formas de exploração do trabalho, o precariado. Se denomina este tipo de trabalhador desta forma pois são como motoristas do UBER ou outras picaretagens dominadas pelo Imperialismo Internacional, onde aqueles que levam a parte do leão, são as megacorporações internacionais que simplesmente disponibilizam um espaço para estocar seus filmes, ou no caso do Uber, disponibilizam um aplicativo pelo qual os motoristas que são donos do carro e da preciosa mão de obra deixam algo mais de 10% para que o motorista simplesmente faça todo o trabalho e não tenha a mínima cobertura caso tiver qualquer contratempo.
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Porém para inverter esta superexploração do trabalho a poderosa organização sindical alemã da indústria siderúrgica, a IG Metall, se unificou com uma organização incipiente dos Youtubers alemãs para exigir uma série de reivindicações, com o seguinte comunicado:
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Desativar os bots – pelo menos os parceiros confirmados têm o direito de falar com uma pessoa real se você planeja remover o canal deles.
Decisões de conteúdo transparente – Abra a comunicação direta entre os censores (“departamento de conteúdo”) e os Criadores.
Pague pelas visualizações – pare de usar canais demonetizados como “isca” para anunciar vídeos monetizados.
Pare a desmonetização como um todo – se um vídeo estiver de acordo com suas regras, permita anúncios em uma escala uniforme.
Tratamento igual para todos os parceiros – Pare de preferir alguns criadores em vez de outros. Não há mais “YouTube Preferred”.
Pague de acordo com o valor fornecido – divulgue o dinheiro dos anúncios em todos os YouTubers com base na retenção de público, não em anúncios ao lado do conteúdo.
Esclarecer as regras – Traga regras claras com exemplos claros sobre o que é OK e o que é um Não.
Estamos Unidos!
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A função da IG Metall será de dar apoio logístico com seus advogados para que se em um mês o YouTube não der solução, ou entrar em negociações, eles entrarão na justiça contra o Google.
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Provavelmente a luta dos Youtubers terá apoio não só da IG Metall, mas também de um setor que vem sendo prejudicado pelo crescimento das plataformas digitais, o setor de comunicação centrado nos grandes jornais e redes de TV, pois se grande parte das reivindicações tiverem êxito, os custos da redes informatizadas subirá e com isto a concorrência será mais honesta, ou seja, talvez mesmos os liberais, defensores do mercado, deem apoio a estas reivindicações.
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Se os Youtubers tiverem sucesso, seguirão na mesma linha uma série de profissões, como os motoristas e entregadores de Uber, que sofrem o mesmo tipo de superexploração.
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Parece que esta notícia é a mais favorável ao trabalho nas últimas décadas, ou seja, a organização sindical do precariado.

A centralização do discurso ambiental nas mudanças climáticas deixa escapar o pior, a própria devastação do meio ambiente.


Quando se joga tudo nos ursos polares ficando sem gelo no Ártico os ambientalistas obscurecem o verdadeiro problema, que os problemas do meio ambiente além serem globais são oriundos de uma soma de problemas locais.


Parece que a frase anterior é algo anacrônica e fora do contexto da luta pelo meio ambiente, em parte ela é, ou seja, durante muito tempo o protagonismo de ONGs internacionais, algumas com presidentes de honra que são caçadores de animais na beira de extinção, retiram da responsabilidade dos gestores e dos próprios ambientalistas locais, problemas simples ou mesmo complexos que deveriam ser prioritários que estão próximos a nossa possibilidade de atuação caindo na armadilha de ficarmos fazendo grandes contas sobre pegada ecológica de créditos de carbono enquanto esquecemos que a miséria e a pobreza de enorme quantidade de pessoas bem próximas a nós é mais uma parcela do grande componente do que chamamos a luta contra a degradação dos oceanos, das águas superficiais e subterrâneas e principalmente da luta pela sobrevivência da parte mais vulnerável da nossa população.

Fala-se das queimadas dos resíduos que sobram da floresta amazônica, porém poucos falam que estas queimadas são produto da invasão do grande capital contra uma população indígena ou mesmo cabocla que ocupavam imensas partes desta área e são jogadas e comprimidas cada vez mais para dentro dos próprios resíduos de mata que ainda nos resta.
Porém também a degradação dos rios em os estados do Brasil, são provocados principalmente pela falta de condições dos pequenos agricultores e posseiros que para se sustentar tem que necessariamente atacar com vigor o meio ambiente para, por exemplo, conseguir lenha para cozinhar ou mesmo caça para se sustentar.

Parece que o real problema da Amazônia é a única coisa que incomoda os ambientalistas brasileiros, mas esquecer dos microproblemas causados pela falta de saneamento ambiental, de políticas concretas de mudança das políticas de transporte público, de disposição correta de resíduos sólidos, de uso de madeira para o consumo privado e mais centenas destes pequenos problemas, que quando unificados produzem danos equivalentes como os que estão sendo feitos nas nossas florestas remanescentes.

A propaganda macro dos problemas ambientais, sem se começar pelos pequenos danos que prejudicam aqueles que não tendo lugar para ir, se colocam em risco das mais diversas formas desde habitar em zonas sujeitas a inundações, a águas poluídas e outros riscos as pessoas. Esquecem os ambientalistas que quem mais morre pelo uso inadequado e excessivo de agrotóxicos são exatamente os nossos proletários rurais que são contaminados em níveis muitas vezes superior a quem compra uma alface ou um tomate tratados com estes mesmos agrotóxicos que o trabalhador rural e sua família que mora próximo recebem dezenas, centenas de vezes mais o veneno do que o nosso consumidor de alface.

Não estou dizendo que com a devastação planetária que se promove nos dias de hoje, daqui a vinte ou trinta anos grande parte do nosso planeta se transformará um inferno, ou que estou dizendo é que no dia de hoje a vida de bilhões de pessoas no mundo já é um inferno, porém o foco de todas as notícias ambientais é que os níveis dos mares aumentarão alguns centímetros e muitas colheitas falharão provocando para quem não tem recursos fome e miséria. O que estou dizendo que se centralizássemos corretamente o discurso ambiental no microcosmos que a nós confere, a própria militância para o problema macro se ampliaria mais rapidamente. Porém devemos levar em conta, que estes problemas micros a serem resolvidos não podem ser feitos sem uma mudança estrutural do conceito de manejo tanto do planeta como da pequena vila sem água potável, sem esgoto e sem moradia descente. Este problema estrutural está no verdadeiro anacronismo de muitas organizações ambientais, que acham que resolverão o problema do planeta contando com a ajuda de capitalistas e mesmo de oligarquias reais, que eles mesmo fazem parte do problema.

A solução do problema de uma aglomeração humana sem condições de vida descente, que chamamos de vilas, malocas, comunidades e centenas de outros nomes, ferem não só os olhos dos aliados destas organizações “ambientalistas”, mas o principal, ferem os privilégios destes aliados de ocasião, que lhes agradam mais dizer que querem resolver o problema dos ursos do Ártico do que a miséria de uma favela.

19 agosto 2019

A melhor imagem se origina da palavra escrita.



Talvez os inimigos do obscurantismo que reinou livre e sem oposição durante todo um período da 
nossa história através de vídeos colocados no YouTube, Facebook, Watts-App e outros aplicativos periféricos só nos últimos dois anos têm sido combatido exatamente nas mesmas mídias.
Por muito tempo, estas mentes obscurantistas, simplesmente usaram e abusaram de notícias mentirosas (que é o verdadeiro nome para a palavra “fake News”), tornando estas mídias visuais um verdadeiro esgoto.
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Exatamente por estas mídias serem dominadas por mentiras e serem um verdadeiro esgoto putrefato a céu aberto, a imensa maioria dos setores de esquerda, modernamente chamados de setores progressistas, se negavam a utilizar estas ferramentas para não serem confundidos como mentirosos, pois numa negação extremamente tosca culpavam a mídia pela má mensagem que ela propagava e não culpava quem produzia todo este esgoto.
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Com os processos políticos de Trump, do Brexit e no Brasil de Bolsonaro, foi quase uma surpresa para produtores de conteúdos escritos de esquerda, que ficaram isolados numa bolha de quem tem o hábito de ler artigos de jornais ou revistas, continuaram em suas bolhas que ampliadas por produções coletivas como o próprio GGN e outros (Fórum, DCM e centenas de blogs), porque tinham medo de perder o protagonismo e o controle na divulgação de seus pontos de vista melhores estruturados e mais bem embasados sujeitos a críticas de pessoas mais intelectualizadas.
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Como os divulgadores de opiniões e fatos mais com um viés racional, se deram conta que por mais bem estruturados e mais bem elaborados viram que a sua ação racional estava simplesmente sendo vencida pelos produtores de esgoto da extrema-direita, passou-se a uma reação de diversos produtores de conteúdo dos setores, que chamaremos genericamente de progressistas, nas mídias visuais.
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Porém esta produção de conteúdo progressista, começou na maioria dos casos, exceto honrosas exceções, num primarismo de mesma característica dos produtores de notícias mentirosas sem utilizar o mais importante que exatamente as mentes progressistas possuem, a capacidade de roteirizar e colocar de forma lógica assuntos que darão combate as produções de esgoto da extrema-direita.
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Chamo atenção para esta última frase, pois os produtores de conteúdo progressista têm que entender que a linguagem em termos de imagem do esgoto das mídias visuais, não precisam ser necessariamente copiadas por alguém que domina a palavra escrita.
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O que estou dizendo com o parágrafo anterior, estou dizendo que assim como os roteiristas norte-americanos do tempo do Macartismo, Hollywood utilizou de forma velada e até ilegal para as repressão da época, os antigos roteiristas de esquerda que eram proibidos de trabalhar na indústria cinematográfica daquele país, e no momento que diminuíram estes roteiristas e as imposições ideológicas ficaram mais efetivas, simplesmente o mercado internacional começou a balançar na direção de produções europeias que não tinham estas restrições.
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Coloquei a indústria cinematográfica em evidência, pois é a prova que mesmo em produções visuais é necessário o que abunda no setor progressista e é um deserto na extrema-direita, a capacidade de roteirizar e criar textos com cuidado e recursos visuais que se transladado a imagem, produzida profissionalmente ganhará uma batalha que é impossível dos setores progressistas perderem, a batalha da inteligência aliada com a verdade e com a qualidade gráfica.
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Vamos dar mais um exemplo clássico da inteligência de esquerda vencendo um mar de ignorância através da capacidade de roteirizar produções visuais. O grande cineasta de esquerda japonês Akira Kurosawa, simplesmente com seu filme Os sete samurais, que foi inspiração ou mesmo cópia deslavada de produtores ocidentais, marcou não só pelo enredo desenvolvido, mas também pelas tomadas que foram anteriormente cuidadosamente detalhadas e desenhadas pelo grande Kurosawa. 
Ou seja, quando o filme começou a ser rodado, assim como outras obras deste gênio da cinematografia, nada era ao acaso, não era uma ideia na cabeça e uma câmera na mão, era toda a estrutura detalhada para se transformar em imagem.
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Talvez somente o cinema nazista de extrema-direita conseguiu criar obras impactantes nas mão de Leni Riefenstahl com um orçamento e apoio do governo nazista, conseguiu no seus filmes como o Triunfo da Vontade conseguiu criar um documentário de propaganda com qualidade artística, porém mesmo o filme de Leni poderia ser adaptado para qualquer político de qualquer tendência, ou seja, sua estática era o que importava não o conteúdo.
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Coloquei toda esta explicação sobre cinema simplesmente para chamar atenção que a batalha não está perdida, por um simples motivo, para evoluirmos em termos de ocupação do espaço nas chamadas redes sociais e principalmente nas redes sociais com imagem, as pessoas mais a esquerda tem uma vantagem que dificilmente será ultrapassada pela extrema-direita, a capacidade de estruturar roteiros de pequenos vídeos com começo, meio e fim e além disto, roteiros falando a verdade.
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Parece pretensão da esquerda, porém se abandonarmos os esquemas batidos pela própria extrema-direita de ir a frente de uma câmera e ficarmos uma cansativa hora despejando conteúdo sem a mínima estruturação clara, só opinião, o jogo se torna um jogo de bolhas, é necessário a produção clara de conteúdo, até utilizando recursos gráficos mais atraentes que mostre um raciocínio linear, baseado em conceitos, conclamando as pessoas pesquisarem na própria Internet atrás de documentos oficiais e credíveis para dar consistência à apresentação. Ou seja, fazer como os mestres do cinema, do Kurosawa retirar a improvisação nas imagens, e de qualquer bom produtor de propagandas ter mais cuidado na estética de apresentação do conteúdo.
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Vamos a luta (quem tem capacidade para isto) pois a melhor imagem  depende da capacidade de escrever o conteúdo.
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12 agosto 2019

Porque este site ficou paralisado por muito tempo e volta com outra pauta, mais militante e política.

Todas estas fotos foram extraídas de sites livres de direito autoral.

Este site era voltado para assuntos técnicos na parte de clima como engenharia em geral, ou seja, era um site que motivasse engenheiros e técnicos de áreas correlatas em ter algo a ler que escapasse do comum e ordinário que eram publicados com em jornais e revistas não técnicas, porém mantivessem algum rigor científico na informação. Ou seja, mais leve que uma revista técnica, mas não leviano como as publicações em jornais e revistas correntes.

Lá por volta de 2012, apesar do número de visualizações atingisse um número relativamente alto para a sua época, passando de 200 mil visualizações, comecei a me dar conta que o assunto do clima se tornou algo extremamente politizado de uma forma totalmente desagradável para quem tem alguma formação técnica, pois quem questionava dados sobre o assunto, não questionavam os problemas e os erros que eram feitos, mas sim questionavam a CIÊNCIA. Como isto que detectei em 2012 agravou-se cada vez mais, começando a haver até questionamento da esfericidade da Terra, vi que a minha repulsa era razoável.

Como gosto que escrever, continuei a escrever primeiro no Portal Luis Nassif e por fim no GGN do mesmo jornalista. Esta escolha foi proveitosa, pois publiquei no GGN mais de 200 artigos num intervalo de aproximadamente 5 anos ou mais, porém como simplesmente propunha assuntos que eram publicados ou não conforme os humores da editoria do GGN, estes 200 artigos foram escolhidos entre quase 500 que enviei. Ou seja, mais da metade por vezes por serem artigos mal escritos ou irrelevantes foram simplesmente ignorados, por outro lado, muitos destes artigos ignorados foram retirados da lista de publicações por razões de escaparem muito da linha editorial do GGN e ficavam num Blog no meu nome.

Com a mudança do formato do site, simplesmente os artigos que ficavam no Blog e não eram aproveitados, se tornaram inacessíveis para o público em geral, ficando numa espécie de nuvem do esquecimento. 

Porém o que mais me motivou a recomeçar a escrever este Blog, porém com uma linha editorial mais política do que outra coisa, foi o que li no artigo que escrevi em 16 de agosto de 2010, ou seja a nove anos que me deu TRISTEZA e vontade de encarar uma luta para nós engenheiros. Vou replicar o texto escrito no Fórum Luis Nassif e quem ler com cuidado verá o porquê de minhas palavras:

"Título: Falta de Engenheiros: Um ótimo problema para os profissionais.

Estamos na presença de um ótimo problema para os profissionais de engenharia. As indústrias vêm reclamando da falta de bons profissionais com treinamento científico na área de engenharia.


Há pouco, a CNI recamou publicamente da falta de profissionais em engenharia para ocupar os seus quadros, e a reclamação vinha com uma recomendação que a formação dos engenheiros fosse feita com um embasamento melhor em Pesquisa e Desenvolvimento, ou seja, não se quer mais alguém com simplesmente o diploma, se quer alguém que quer acompanhar o desenvolvimento tecnológico e a modernização do parque industrial.

Isto para os engenheiros é uma excelente notícia, pois como o problema não terá solução em curto prazo levará necessariamente a um aumento salarial. Durante os períodos áureos e nada saudosos da crise econômica brasileira, engenheiros de boas escolas tinham que se sujeitar a esquemas de “terceirização fajuta” para receber salários próximos ao mínimo profissional, hoje em dia o
mínimo profissional começa e ser visto como um mínimo para engenheiros sem experiência nenhuma, quase um salário de estagiário."

Este texto escrito há 9 anos mostra o que a chamada Lava Jato conseguiu fazer com a Engenharia no Brasil, de um período de crise que perdurou desde a década perdida no fim dos governos militares até os governos Collor, Itamar e FHC, a Engenharia brasileira comeu o pão que o diabo amassou, e quando esta começou a crescer, criando situações como a descrita neste texto de 2010, um curto período em que não precisávamos trabalhar como estagiários ou auxiliares técnicos mesmo sendo engenheiros formados, para que os patrões não tivessem de pagar o mínimo profissional, passamos de novo para mais um etapa de exploração das empresas da mão de obra dos engenheiros.

Quando vemos a atuação pífia e vergonhosa das nossas associações, sindicatos, conselhos de classe ou de outras organizações, vemos que durante todo o processo em que a engenharia civil, naval, petroquímica e por último a aero-espacial foi destruída ou vendida em nome de um combate a um corrupção que nunca chegou ao bolso de 99% dos técnicos e demais trabalhadores da área, porém diferentemente do que se fez ou que se faz em outros países em que empresas em que os diretores e proprietários corruptos são afastados e os empregos e a tecnologia conservada, arrasou-se tudo nas mãos de "operadores do direito" que se mostraram que eram oportunistas e carreiristas que simplesmente não tiveram o pudor de conservando seus régios salários deixados milhões no desemprego.

O que fizeram estas associações, sindicatos e outras organizações de classe, EXATAMENTE NADA, simplesmente porque fazer alguma coisa poderia contrariar os interesses dos senhores do mercado, e para que eles conservassem seus carguinhos, ficaram simplesmente mudos.

Sou aposentado e gasto muito menos do que ganho, logo tenho total liberdade de chutar as canelas de quem quiser, e posso dizer, enquanto a idade não me impedir de pensar, falar e escrever, ou um regime ditatorial seja imposto no nosso país estarei gritando o máximo possível e para isto conto com a solidariedade de todos que lerem e divulgarem este espaço, pois a luta deverá ser longa.

11 agosto 2019

A grande mentira sobre a eficiência das escolas militarizadas.

A grande mentira sobre a eficiência das escolas militarizadas.

Já no ano passado, postei um artigo sobre a falácia da qualidade do ensino militarizado, como o assunto se tornou mais importante fiz uma releitura sobre o mesmo tema que posto, aqui:

Muitas pessoas fascinadas pela ordem e disciplina que existem nas escolas militarizadas, fazem uma ligação direta e espúria entre as características de lei e ordem a uma maior eficiência no rendimento escolar. Esta visão, como procurarei demonstrar neste texto, é completamente equivocada produzida por uma falsa ligação entre a ordem e disciplina e rendimento escolar medido por exames de vestibulares ou outros instrumentos de aferição de desempenho para alunos de segundo grau.
Há um primarismo na análise dos pais de adolescentes que vendo bons desempenhos a alunos egressos de escolas militarizadas, numa pobreza de análise fazem uma relação causa efeito entre a rigidez aparente em escolas militarizadas a um melhor desempenho escolar.
O erro na interpretação primária desta relação causa/efeito (disciplina/eficiência), que nunca foram provadas por estudos científicos sobre o assunto, é resultado do que se chama em análise de dados de um erro de “separação das variáveis”.
A percepção de pais de crianças e adolescentes que escolas militarizadas produzem melhor desempenho em testes do que escolas públicas não militarizadas, é produto mais do aparente do que está por trás do verdadeiro segredo de polichinelo que ninguém se dá conta, ou se dão conta e escondem: O mecanismo institucionalizado de exclusão no ingresso das escolas militarizadas.
Os pais associam de forma indevida a ordem militar imposta pelas escolas militarizadas, a um ordenamento mental um consequente aumento na capacidade de adquirir conhecimento. Ou seja, uma consequência da ordem disciplinar externa a um melhor ordenamento mental dos alunos.
O mais incrível de tudo é que tanto os apoiadores das escolas militarizadas como os seus detratores, caem exatamente no mesmo erro, atribuir a maior eficiência a disciplina (apoiadores) ou atribuir a escolas militarizadas uma maior abundância de recursos (detratores). Entretanto, os dois grupos partem de um erro básico que invalidam qualquer raciocínio, o ensino militarizado não é mais eficiente ele é somente é excludente a alunos que serão triados por condições socioambientais ou mesmo a não aceitação dos métodos de ensino utilizados.
Saindo das generalizações, vamos direto a fonte da aparente melhor eficiência das escolas militarizadas, a forma que se dá o acesso aos bancos escolares.
Enquanto que no ensino público em geral, o acesso é universal independendo das condições socioambientais dos alunos que neste ingressam, para aceder as escolas militarizadas é necessário um exame de admissão que tem suas normas definidas pelas direções das escolas. Ou seja, as direções das escolas militarizadas impõem métodos de exclusão ao sabor de suas práticas algumas vezes seculares.
Como geralmente a demanda por ingresso é muito maior do que o número de vagas, o lógico é estabelecer uma limitação de ingresso ao número de vagas, coisa que poderia ser feita, por exemplo, por sorteio! Entretanto as escolas militarizadas evitam este critério democrático e que respeitaria os ditames constitucionais, tratando o ingresso a uma escola como um verdadeiro concurso público onde teoricamente a meritocracia seria a métrica.
Esta exigência de um falso concurso público para o ingresso no aprendizado, é uma forma de facilitar o trabalho dos membros discentes da instituição e dar uma aura de eficiência na instituição, ou seja, os dirigentes destas escolas sabem precisamente que seus métodos são excludentes e contrariam o direito constitucional a igualdade de oportunidades de cada pequeno cidadão brasileiro. Este conhecimento da exclusão dos alunos e o resultado que isto acarreta, pode ser demonstrado pela luta que ocorreu durante um dos governos do PT no estado do Rio Grande do Sul e uma escola militarizada paga com recursos públicos estaduais, o Colégio Tiradentes.
Durante uma época em que na Secretaria de Educação do estado do RS, havia uma noção da falta de espírito democrático e republicano no método de ingresso via prova de seleção do colégio Tiradentes, colégio militarizado que era e que ainda é administrado pela polícia militar gaúcha, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul. A secretaria de educação tentou tornar o ingresso dos alunos neste colégio baseado num processo universalizante, eliminando as provas de admissão para esta escola. Houve uma imensa resistência não só do corpo discente, como também dos pais dos alunos que já estudavam neste colégio, resultando uma luta de braço no qual o colégio Tiradentes venceu e continuou a utilizar um PROCESSO SELETIVO via prova de admissão. Ou seja, venceu o conceito que dinheiro público seriam utilizados para o público pré-selecionado e não para um ingresso geral.
Os educadores em geral, como negam por princípio a disparidade da capacidade de com um exame de admissão se possa selecionar a vida o desempenho profissional de quem é testado e tem êxito no teste. Mais por ideologia do que por ciência deixam escapar o principal, a triagem socioambiental que por vias indiretas é feita por estes exames de admissão.
Em qualquer lugar do Brasil, que existam escolas militarizadas, há cursos de particulares para preparação destes exames, coisa que muitos sabem, mas não se dão conta da perversidade que induz os exames de admissão e que são propagandeadas, sem o mínimo pudor, por estes cursos privados de preparação ao ingresso das escolas militarizadas.
A origem e a existência destes cursos de preparação a escolas militarizadas, é um mero retrato da forma que são feitos os exames de admissão, eles são feitos com parâmetros especiais dados não só pelos programas exigidos para os postulantes ao ingresso, mas como também a forma como são feitas as provas de admissão. Geralmente os programas esgotam todas as possibilidades de exigência que são dados pelos parâmetros curriculares do governo federal, e que só uma pequeníssima minoria de alunos teve todos os conteúdos. Com isto questões bem elaboradas em termos de armadilhas são feitas para testar os alunos, e quem teve alguma falha no ensino do anterior terá dificuldade em resolvê-las. Logo para preparar os alunos para não caírem nestas armadilhas, os cursos de preparação os sujeitam a uma dupla jornada de estudo, ou seja, o ensino normal que estão seguindo, mais horas suplementares em turno inverso ao que estudam ou mesmo a noite.
Qualquer um pode imaginar, que sujeitar um aluno do fim das séries iniciais do primeiro grau, ou mesmo de série mais avançada que realiza as provas mesmo tendo que retroceder um ano se tiverem sucesso, é necessário um suporte familiar que não é usual para a imensa maioria da população brasileira, pois além dos custos extremamente exorbitantes dos cursos preparatórios, a necessidade de transporte e acompanhamento é um custo econômico e psicológico a toda a família.
O aluno que provier de uma escola privada com elevado grau de exigência (e custos também elevados), poderia sem esforço excessivo obter sucesso nestes exames de admissão, mas já cursar a priori uma escola de alto custo é uma forma de triagem socioeconômica do aluno.
Concluindo, para que um jovem que concluiu os anos iniciais do ensino fundamental, ou que concluiu o ensino fundamental, para que ingressem em escolas militares ou militarizadas, nas séries finais do ensino fundamental ou o segundo grau, terão que fazer um exame de admissão.
O exame de admissão testam na realidade os seguintes itens:
1) Nível socioeconômico dos alunos.
2) Grau de escolaridade dos pais (que é um dos fatores importantes para um bom desempenho escolar).
3) Nível de importância dada pelos pais e pelo aluno ao ensino.
Subsidiariamente e excepcionalmente aos itens anteriores, os exames de admissão poderão testar o grau de inteligência e/ou adestramento dos alunos para atingir as exigências propostas nos exames de admissão, mas isto é algo secundário.
RESUMINDO: O problema das escolas militarizadas não são os uniformes, as possíveis tentativas de manipulação ideológica dos quadros diretores das escolas, pois isto os jovens tem seus mecanismos de defesa. O problema é o aspecto anticonstitucional e antirrepublicano dos métodos de admissão, que excluem por razões socioeconômicas parte dos que poderiam se interessar em ingressar nesta escola.
O que deveríamos reclamar não é a existência deste tipo de educação, mas sim a sua forma de ingresso, por exemplo por sorteio, pois daí por diante a falácia da militarização como modo de ensino, em curto espaço de tempo derrotaria os defensores da militarização, pois o resultado seria o mesmo (ou até pior) do que uma escola pública comum bem administrada.
PS.: Algo que constatei nos 38 anos de professor de turmas de Engenharia da UFRGS, foi que alunos provenientes das tradicionais escolas militares e escolar militarizadas, não apresentam em média nenhum desempenho acima dos alunos provenientes das mais diversas escolas, poderia até dizer que uma boa parte dos mesmos apresentam desempenho medíocre em termos de criatividade e inovação.

Pequenas recomendações sobre a educação nas redes sociais.

No século passado, antes da existência das chamadas redes sociais, as pessoas eram muito mais sociabilizadas do que atualmente, a impess...