29 junho 2012

Benefícios do transporte coletivo. Isto não tem preço.


Enquanto se fica discutindo o custo do transporte de Metrô nas grandes cidades, mostrando que os BRTs são a oitava maravilha do mundo, uma equipe de pesquisadores da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), publicou um fantástico trabalho intitulado “Evaluation of the air quality benefits of the subway system in São Paulo, Brazil” na revista “Journal of Environmental Management” (AQUI) Este artigo talvez venha se tornar um novo marco nas discussões do transporte público no Brasil.

Muito se fala no benefício do Metrô em termos de melhoria da mobilidade, mas sempre se contrapõe as vantagens desta forma de transporte ao custo de implantação (ou de sistemas não movidos a motor de combustão interna), com isto se justifica soluções de terceiro mundo para nossas cidades, como os BRTs. Este trabalho terá a possibilidade de mostrar que para a escolha de transportes movidos a eletricidade (Metrô, VLTs e Aeromóvel - no caso gaúcho) deve ser considerado bem mais do que mero custo de implantação.

A partir de dados de qualidade de ar que foram medidos durante greves do Metrô paulista em 2003 e 2006, eles verificam a variabilidade da qualidade do ar com e sem Metrô, eles verificaram que esta  variabilidade é espantosa. No momento que o Metrô para, naturalmente ele é substituído por outros meios de transporte (veículos particulares, ônibus e vans) movimentados por motores de combustão interna que aumentam a quantidade de poluentes no meio ambiente.


O fator mais  importante avaliado no estudo foi a presença de particulados no ar, a concentração dos particulados aumentou (PM10)  de 41,15mg/m³ para 101,49mg/m³ na greve de 2003 e de 43,99mg/m³ para 78,02mg/m³ na de 2006 (estimou-se que em 2006 a frota estava mais moderna e por isto não aumentou tanto a poluição).

Com estes valores eles estimaram o aumento de problemas cardio-respiratórios, e principalmente as mortes que causam estes problemas, eles atribuíram que das 56 e 67 mortes ocorridas no período por complicações cardio-respiratórias 8 e 6 (2003 e 2006) poderiam ser atribuídas a piora das condições ambientais. No trabalho são mostrados gráficos de monitoramento da qualidade do ar e estes gráficos deixam claro de forma inequívoca a correlação entre a parada do Metrô e a piora da qualidade do ar.

Através de estimativas conservadoras, foram avaliadas perdas econômicas (por diminuição de  produtividade e óbitos), mostrando que o uso do Metrô produz uma economia anual entre US$13.000.000.000,00 a US$18.000.000.000,00 por ano (não errei nos zeros, são 13 a 18 bilhões de dólares!!!), só no aspecto de saúde pública. Os autores chamam atenção que as perdas econômicas causadas pelo aumento dos engarrafamentos nem foram levadas em conta, mas se agregassem isto ao estudo, o cenário favorável ao uso do Metrô ainda aumentaria mais.

Chamo a atenção, que no momento que tentam nos empurrar goela abaixo os famosos BRTs para as cidades brasileiras, em contraposição ao transporte por Metrô, VLTs e Aeromóvel, não é levada em conta no cotejamento de soluções os problemas de saúde pública causados pela poluição e gerados pelos motores de combustão interna dos automóveis, ônibus, lotações e BRTs. Em nenhum momento à poluição ZERO dos veículos movidos a tração elétrica  (que até podem ser um pouco mais caros) é levada em conta, porém a saúde e a vida da população não tem preço.

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No século passado, antes da existência das chamadas redes sociais, as pessoas eram muito mais sociabilizadas do que atualmente, a impess...