26 dezembro 2012

Riscos de Tsunami no Brasil.


Como já passou a data que místicos e charlatões vaticinavam para o fim do mundo, é possível se postar na Internet alguma coisa sobre riscos de desastres sem contribuir para a histeria. Se fala muito sobre a imunidade do nosso país aos riscos de Terremotos e Tsunamis, porém talvez não seja totalmente verdade esta nossa imunidade, e poderíamos perguntar seriamente.

O Brasil é imune a Tsunamis?

Cientificamente não se pode afirmar que não. Na realidade se formos falar em termos estatísticos poderíamos comparar o risco de um Tsunami no Brasil com a sorte de um apostador acertar na Quina! Ou seja, o risco é baixíssimo, entretanto como somos um povo que confiamos na sorte, e fazemos a nossa fezinha na Quina mesmo sabendo que a chance é baixa, não custa nada falar sobre estes riscos, até para que numa situação deste tipo de evento saibamos como nos comportar (assunto que poderá ser desenvolvido em outro post).

Primeiro quais seriam os focos geradores de Tsunami para as costas brasileiras?

A primeira situação, já descrita em vários blogs e artigos científicos, é o deslizamento de parte do Vulcão Cumbre Vieja, nas ilhas Canárias, hipótese que é real e não faz parte de filmes de desastres. Só para dar uma ideia da possibilidade que existe deste evento é possível localizar em revistas científicas e publicações em congresso nos anos 2011 e 2012, alguns trabalhos publicados sobre o assunto (aqui, AQUI e AQUI, nos dois últimos links é possível se acessar os trabalhos integrais).

As estimativas destes trabalhos são bem otimistas em relação a trabalhos anteriores, pois os autores supõe que estes tipos de deslizamento são gradativos e não um deslizamento rotacional como ocorre em meio subaéreo (bloco contínuo). A meu juízo isto é baseado numa hipótese falsa, esta hipótese é baseado na investigação dos depósitos sedimentares provocados por deslizamentos do mesmo tipo, e como nestas pesquisas foram achadas feições características de depósitos turbidíticos (aqui, e AQUI), os pesquisadores que as realizaram tomaram como hipótese do mecanismo de formação de correntes turbidíticas, fluxos contínuos de material para dentro do oceano (não pulsos únicos como um deslizamento rotacional).

A partir de simulações físicas levadas a cabo no NECOD (Núcleo de Estudos de Corrente de Densidade) se verifica que independente do mecanismo de gatilho do fluxo (pulso ou fluxo contínuo), as feições características de fluxos turbidíticos estão presentes, logo a observação pura e simples do depósito não explica a origem do mecanismo de inicialização do fluxo, pois com o aumento da distância a origem, do mesmo, há uma segregação entre camadas que podem ser originadas de múltiplos aportes de sedimentos ou de um aporte único. Ao nosso juízo uma simulação (AQUI) que partem do pressuposto de um deslizamento convencional é mais adaptado para a simulação de riscos, pois resultam em maiores ondas.

O deslizamento de parte do Vulcão Cumbre Vieja, geraria ondas que segundo as hipóteses adotadas, criariam ondas na costa brasileira que variariam entre 3m e 18m, ou seja, 3m segundo as simulações supondo um deslizamento em partes e 18m supondo um modelo análogo a um deslizamento rotacional.

Simulação matemática de um Tsunami gerado pelo deslizamento do Vulcão Cumbre Vieja.

A segunda situação, que não é muito ventilada, é a de Tsunamis gerados por terremotos na dorsal meso-atlântica (ou crista oceânica do Atlântico - dorsal oceânica é uma cadeia de montanhas submersas no oceano, que se originam do afastamento das placas tectônicas). Esta a cordilheira submarina formada no Atlântico Norte entre placas tectônicas Norte-americana e Euroasiática, e no Atlântico Sul entre as Placas Sul-americana e Africana. Como estas placas apresentam um limite divergente (as placas estão se afastando e não se aproximando) a atividade vulcânica é muito menor (isto não quer dizer que seja inexistente!), sendo concentrada estas atividades próximas as ilhas do Caribe e as ilhas Sandwich do Sul.
Fonte: http://www.maine.gov/doc/nrimc/mgs/explore/hazards/tsunami/jan05-5.htm

 Excetuando as duas regiões citadas (ilhas do Caribe e as ilhas Sandwich do Sul), tremores de terra são geralmente de baixa intensidade, mas mesmo assim eles existem, por exemplo, em 25/12/2012 ocorreu um tremor de terra de ligeira intensidade (magnitude 4,9 escala Richter) exatamente nas coordenadas 22.406°S e 12.650°W, ou seja aproximadamente na mesma latitude que a cidade de Vitória no Espírito Santo. Logo, nada se pode dizer que no futuro não tenhamos terremotos de maior intensidade.

Agora no caso das ilhas Sandwich do Sul são grupo de ilhas vulcânicas criadas pela subducção da Placa Sul-Americana sob a placa Sandwich do Sul. Apesar da placa Sandwich do Sul ser muito pequena, o encontro entre estas duas torna a região muito ativa em termos de terremotos, em 2 de janeiro de 2006, por exemplo, ocorreu um tremor de escala 7,4 (escala Richter), que já é considerado um tremor de grande escala. Como o epicentro deste tremor era um pouco profundo (10km) não causou maiores problemas, mas de novo vemos que há uma probabilidade de geração de tremores do mesmo porte com movimento significativo do leito do mar.

As figuras a seguir, mostram a Sismicidade histórica da região. A primeira mostrando os terremotos a partir de 1900 de magnitude maior do que 7 na escala Richter (grandes e importantes), e a segunda todos os terremotos da escala 3 ou maior no mesmo período.


Fonte: National Earthquake Hazards Program do USGS.
É importante destacar que somente há pouco tempo (2011) nesta região foram localizados uma dúzia de grandes vulcões submersos ativos e não ativos, vulcões com até 2000m de altura, (AQUI e AQUI). Deslizamentos desses vulcões podem causar um Tsunami de grande porte.



Antes de terminar vamos a mais duas observações, em 1542, no início da colonização do Brasil, a primeira cidade construída pelos Portugueses no Brasil, a cidade de São Vicente, foi demolida por ondas de mais de 8 metros de altura, logo um fato histórico que permite a conclusão que não somos imunes a este tipo de desastre. Também para acrescentar mais uma causa a formação de Tsunamis podemos supor que o mecanismo de deslizamento da borda da plataforma possa gerar tsunamis, mas aí já é outra história.

28 novembro 2012

Se o Vaticano fosse fazer um concílio num prostíbulo, o Mundo vinha abaixo, mas a ONU promover um congresso sobre CO2 no Qatar, ninguém estranha?


Todos sabem que jamais a Igreja Católica fará um desrespeito tal aos seus fiéis, porém a Igreja do Clima está fazendo isto, e ninguém está achando ruim!

Aqueles que têm fé na Igreja do Clima acham que o CO2 é o culpado de todos os males do nosso dia, porém para debater sobre o Satanás dos dogmas do Aquecimento Global Antropogênico, os burocratas da ONU junto com seus colaboradores das ONGs do clima, escolheram exatamente o prostíbulo do consumo do petróleo internacional.

Um dos lagos artificiais de Doha, cercado de ambiente "sustentável".
Se olharmos o quadro resumo elaborado a partir do Relatório Planeta Vivo do WWF, veremos que o consumo do petróleo do Catar é de 8,9 GHA (por habitante) e de países pobres como o Chade, Afeganistão e Lesoto é de 0,01 GHA, ou seja, cada pessoa no Catar consome 890 vezes o que consome um miserável no Chade. Esta unidade GHA, é meio engraçada, pois ela compara a área de agricultura que tem o Egito, por exemplo, em relação à área do país com a área de agricultura que tem o Brasil em relação ao seu território, esquecendo que grande parte do Egito é DESERTO, mas isto já é outra história.

Conferência "sustentável" em Doha.
Considerando que os cálculos do WWF estão certos, desprezando alguns errinhos (como não considerar os desertos dos países), cada delegação de 30 representantes, que estão no Catar discutindo o que teremos de fazer de economia para manter os Europeus e os Emirados Árabes do jeito que estão, representam 26.700 habitantes do Chade. Considerando que tem 200 países nesta conferência, teremos uma módica quantia de 5.340.000 (cinco milhões, trezentos e quarenta) habitantes destes países conscientes com o seu dever com o Mundo, países como o Chade, Afeganistão e Lesoto.

Agora voltando ao título da inserção, o que a ONU está fazendo é um Concílio da Religião do Clima num prostíbulo, debochando de todos aqueles que eles mandam reprimir o consumo.

Refugiados de Danfur (Sudão) recebidos pelo Chade, que mesmo na miséria sabe receber seus irmãos! Alguém se refugiou no Catar?
Afinal de contas, discutir no meio do deserto, num hotel cinco estrelas, comendo do bom e do melhor, com ar condicionado a pleno e tomando banho numa banheira de hidromassagem cheia de água dessalinizada do mar é uma beleza, horrível é morar no Chade.

12 outubro 2012

Em desastres naturais não precisamos de erudição, precisamos de previsão.


Apesar de não ter ido ao 46° Congresso de Geologia que aconteceu de 30 de setembro a 5 de outubro do corrente ano, recebi por um colega dois livros muito interessantes editados pelo Instituto Geológico do Estado de São Paulo.

Não são livros que tem a pretensão de fornecer grandes novidades na ciência, não são ambiciosos, mas mesmo assim são extremamente valiosos.

O primeiro intitulado, DESASTRES NATURAIS: Conhecer para prevenir, editado por TOMINAGA, SANTORO e AMARAL (2012), se propõe a reunir de forma sistemática todos os tipos de desastres naturais em um só trabalho. Devido a esta intenção em 192 páginas seria impossível para os autores conseguir dar um tratado profundo sobre o assunto. Mas parece que na dedicatória do próprio livro que dedica aos agentes de defesa civis municipais e voluntários, mostra para que veio este livro.
Numa linguagem simples, mas nem por isto inexata, os autores percorrem uma imensa quantidade de assuntos com firmeza de conceitos, bom acabamento gráfico e para quem quiser saber mais uma bibliografia extensa e atualizada.



O despojamento aparente do texto torna possível a leitura do mesmo tanto por agentes de defesa civil (para os que já tenham um bom embasamento técnico, não é para leigos!), mas também serve como elemento de entrada ao assunto para profissionais que pretendem se envolver no assunto como engenheiros civis, geólogos, geógrafos e outros. Alunos tanto de graduação terão neste livro um bom livro texto, já alunos de pós-graduação, acostumados com a cultura da informação fracionada e extremamente especializada dos “papers”, poderão empregar o texto para organizar suas ideias.

Diria que os professores encontrarão um ótimo e agradável apoio didático.

O livro principalmente por não estar infestado de acadêmicos, os meus colegas, não peca por erros comuns aos livros saídos da academia, livros estes que são densos, com referências excessivas para preencher vácuos de determinados assuntos e muitas vezes desagradáveis de ler.

Parabenizo os autores e organizadores do livro.

O segundo livro, intitulado Desastres naturais, AMARAL & GUTJAR (2012), já está na sua segunda edição. Este procura, numa edição cuidadosa e ricamente ilustrada, atingir um público mais amplo dando informações preciosas que poderão ser assimiladas por pessoas não iniciadas no assunto. Como o livro é mais curto, 97 páginas, a bibliografia de referência é mais curta, entretanto os autores colocam o endereço de vários sites para que quem quiser possa se aprofundar no assunto.



Repito, livros despretensiosos, porém extremamente valiosos, e certamente terão um impacto e uma utilidade centenas de vezes maior do que obras puramente acadêmicas que depois de centenas de páginas descobrimos que se os autores se restringissem a menos de uma dezena de páginas, colocaria tudo de novidade que ele contribui nas suas 2752 páginas.

Os editores e autores destes livros estão de parabéns, em desastres naturais não precisamos de erudição, precisamos de previsão.


Nota: estes dois livros, mais um terceiro, denominado: O Instituto Geológico na Prevenção de Desastres Naturais, encontram-se em PDF livres na rede para quem quiser, no endereço http://www.igeologico.sp.gov.br/ps_down_outros.asp.

28 setembro 2012

Google anuncia carros autônomos para daqui a cinco anos. Boa ou péssima notícia?


O Google anunciou que muito em breve lançará os seus carros autônomos para evitar o massacre do trânsito, eles seriam guiados por GPS e seguiriam o sistema georeferenciado que a Google vem montando. Em princípio parece o máximo, mas será mesmo? Os GPS tem um grande, ou melhor, um imenso problema, ele permitiria que o governo americano em questão de segundos levasse qualquer grande país, como o Brasil ao caos.



Todos devem lembrar que dois sistemas de GPS que existem são sistemas militares, tanto o norte-americano como o Russo, no momento em que houver uma ameaça de alguém utilizar o GPS para guiar um míssil contra os USA eles retiram o sinal do ar ou introduzem o ruído que havia antes do governo Clinton, aí ficam todos parados.

O início do GPS começa em 1960 com cinco satélites que nesta época davam para os submarinos norte-americanos as suas posições de hora em hora. O sistema GPS como nós conhecemos, começa da década de 70 para fins militares e até 1989, ano de lançamento do primeiro dos 24 satélites abertos ao público em geral a utilização continuava essencialmente era militar, mesmo colocando o sinal para o público em geral em 1994, este sinal tinha um ruído que só o governo americano sabia corrigir, fazendo que a precisão do mesmo em equipamentos móveis não fosse melhor do que 100m a 20m. Somente em 2000 que é retirada a chamada “disponibilidade seletiva” fazendo que o GPS tenha a resolução que temos hoje em dia.



O outro sistema existente de GPS é o Russo, o sistema GLONASS, que também só foi aberto para o público em geral em 2007. Os Europeus estão patinando com o seu sistema Galileo que só deverá estar pronto em 2019. Os chineses, os últimos a entrarem na corrida, já possuem um sistema meramente regional, o BeiDou I (3 satélites somente cobrindo a China)e agora com Compass ou BeiDou II (35 satélites)é prometido estar a cobertura da Ásia em 2013 e para o resto do mundo em 2020. A Índia, preocupada com a sua dependência, espera em 2014 estar com um sistema operacional sobre o próprio país.

Como se vê, todos os sistemas estão amarrados à segurança nacional de cada país ou região e em caso de ameaça nacional, qualquer país pode tirar o sinal do ar ou introduzir um ruído que inviabilize o seu uso para a condução de carros.

Caso for universalizado este sistema de carros autônomos, qualquer país proprietário de um sistema de navegação global pode parar qualquer país ou região “inimiga”, introduzindo um pequeno ruído no satélite que passa sobre a região causando um caos instantâneo no sistema de transporte. Os carros e ônibus baterem entre si ou simplesmente sairiam das estradas.

Para o uso internacional de carros autônomos teria que haver um sistema realmente internacional gerido, por exemplo, pela ONU. Se assim não for só aumenta a dependência dos países as grandes potências, ficando estas com uma arma que pode matar milhões de pessoas em questão de segundos.

18 setembro 2012

Cesare Lombroso, o homem que inventou o feio.


Durante milhares de anos os filósofos se preocuparam com o conceito de beleza, os filósofos gregos perderam longo tempo na sua definição, Platão, Aristóteles e outros idealizaram o seus conceitos de belo, mas nunca teorizaram centralmente sobre o feio.
Afrodite, a deusa da beleza.
Como os filósofos nunca conseguiram um consenso sobre o belo, olhando o feio como a antítese do outro, se o belo não foi perfeitamente definido, não se conclui nada sobre o feio. Aplicando uma lógica formal, o não belo, necessariamente não é o feio, pois se envolvermos conceitos de alma e de outros aspectos subjetivos, o limite entre os dois não fica definido.

Vestimenta da Idade Média
Não sou nada conhecedor de filosofia, mas vejo que após a busca da beleza pelos gregos cria-se na sociedade medieval um longo período em que a busca do limite, da ordem e da simetria, é passado para um segundo plano, adotando-se mais um conceito de beleza da alma intangível e não quantificável, tornando a beleza física, até certo ponto, algo desprezível.

Associava-se a beleza de Eva a tentação, associava-se a beleza a luxúria e ao pecado. Bem diferente dos Gregos e Romanos, cobria-se o corpo para que a imagem dele não fizesse o homem fugir do ideal platônico. O teocentrismo não permitia que os mesmos ideais de limite, ordem e simetria fizessem parte do corpo humano, nos templos, nas obras arquitetônicas se abandonavam as proporções clássicas para impor uma arquitetura que elevaria o homem aos céus.

São quase mil anos em que o corpo é eliminado da busca do belo, salvando-se por curto espaço de tempo os ideais Greco-romanos no renascimento, onde os padrões de beleza do corpo humano são discretamente recuperados nas artes, mas sempre guardando o pudor de expor o corpo pecaminoso e manchado pelo pecado original.
As Graças de Rafael Sanzio.
Pouco tempo durou esta busca aos padrões estéticos da antiguidade, havia à igreja de um lado e os cultos puritanos do outro, tendo um grande ponto em comum, a manutenção do decoro.

Torturas da inquisição, provavelmente contra uma bruxa! 
 Com a introdução da sociedade laica após a Revolução Francesa, começa uma recuperação do belo, não é a toa que a figura da Marianne tem os seios desnudos, seios volumosos, talvez mais por uma longa e tediosa espera, se traça um ideal de corpo humano volumoso e carnudo para que ele alimente bem os filhos da revolução.
Marianne - O Símbolo da Revolução Francesa
 Segue a diante o processo republicano e revolucionário, porém sempre tendo como sombra, as Igrejas cobrando pudor e recato. Isto vai até o positivismo, que suporta o estado laico, mas junto com ele o positivismo italiano, o mais tardio na Europa, trás um novo conceito que talvez nunca tenha ficado tão claro na história, a invenção do Feio.

Cesare Lombroso, um médico italiano de ascendência judaica, que na realidade se chamava Marco Ezechia Lombroso, este homem que talvez tenha trocado seu nome para tirar o nome do profeta de sua vida, seguiu as teorias outro médico alemão Franz Joseph Gall, que numa pseudociência dizia ser capaz de determinar qualidades morais e intelectuais somente pela forma da cabeça.

Gall supondo que o cérebro fosse dividido em regiões estanques onde a cada uma delas atribuía uma característica de personalidade. Assimetrias e bossas na formação da caixa craniana, definiam o caráter e se o indivíduo seria ou não criminoso ou um bom homem.

Coleção de Cérebros 
De certa forma a frenologia, pseudociência inventada por Gall foi uma predecessora de ciências modernas como a neuropsicologia e neurociência cognitiva, porém seu esquema era totalmente equivocado, conforme foi mostrado cientificamente mais tarde.

Cesare Lombroso, adotou e levou adiante as teorias da frenologia, ele como um homem de várias ciências medico, antropólogo, criminólogo e advogado extrapolou para outras regiões do corpo os conceitos da frenologia, fundando o que se conhece como a criminologia moderna. Lombroso supos que qualquer distorção de uma anatomia “normal” representava uma involução ou atavismo do homem. Mesmo antes da publicação da “Teoria da espécies” de Darwin, Lombroso via na não normalidade um desvio genético que levaria o homem a um desvio comportamental.

 

Suas teorias, hoje denominadas uma pseudociência influenciaram pensadores da época e posteriores. Sigmund Freud e Carl Jung seguiram em parte alguns de seus conceitos, e após a sua morte em 1909 ainda por muito tempo elas divergiram para diversos ramos, alguns úteis e outros totalmente reprováveis. Muitas teorias racistas foram baseadas neste determinismo fisiológico que com o tempo se mostraram completamente equivocados.


 

Porém um aspecto que ninguém ainda chamou a atenção foi à invenção do conceito de feio. Lombroso associava a deformidade a tendência ao crime ou a outra características nada elogiosas, excetuando algumas formas de loucura que Lombroso as considerou geniais, o que saía do padrão era doentio e mau.

Lombroso criou um museu que existe até os dias de hoje com o nome Museo di Antropologia Criminale “Cesare Lombroso” em que crânios, cérebros e mascaras mortuárias de criminosos eram e são conservados de diversas formas junto com centenas de outras peças que dizem respeito a crimes.

As máscaras mortuárias dão uma face ao crime, uma face não simétrica que indica que este homem com suas características atávicas não conseguiu atingir o ideal de beleza não criminosa. O seja, o não simétrico, o deformado, o longe do padrão normal, além de feio é criminoso, e como tal deve ser afastado e eliminado da sociedade, pois ele tem um determinismo genético. Conforme as teorias de Lombroso tanto o deformado como seus descendentes eram ou se tornariam ladrões, assassinos, estupradores e outras variantes. Para Lombroso um homem nascer feio era muito mais, era nascer criminoso.

Em última instância, Césare Lombroso inventou o feio.

 

17 setembro 2012

Esconder desastres não é novidade? (Continuação I)

Em 20 de março de 2011, escrevi um post denominado "Esconder desastres não é novidade?", e neste post escrevi um parágrafo sobre o maior desastre em barragens que já ocorreu no mundo, a ruptura da Barragem do reservatório de Benqiao(板桥水库大坝), na China (em breve farei um relato mais detalhado do acidente, mostrando as reais razões do mesmo).

Devido a abertura do governo Chinês neste ano de intervalo é possível encontrar material em Chinês sobre este grande acidente, e lições valiosas foram tiradas e podem ser tiradas deste incidente. Porém se a China começa tirar seus segredos do passado, parece que no Brasil ainda continua a cultura de se culpar o tempo, ou mais recentemente o clima, como o vilão de tudo, e sobre acidentes do passado se mantém uma cortina negra como isto fosse vergonha. Excetuando Blogs locais como  O Blog de Barroquinha, Forquilha ontem hoje e sempre, Blog do Macario, Limoeiro do Norte e dezenas de outros, mais num lamento sertanejo, rememoraram os 50 anos do acidente no Açude de Orós no Ceará ocorrido em 1960. 

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Vista geral da Barragem Juscelino Kubistschek de Oliveira (Fonte DNOCS)

Foto aérea do Açude de Orós


Foto do açude rompido após um ou dois dias (não se tem maiores informações, nem o crédito das duas fotos)




Em comunicações técnicas este ocorrido é mostrado de forma superficial, como tivesse sido mais um rompimento de um açude qualquer, e nenhum estudo mostra a origem do acidente. Da mesma forma dos deslizamentos da Serra das Arraras, relatado em "Passado a crise volta-se ao bom senso." e outros, que causou vitimou em torno de 1700 pessoas, estes eventos em um passado não muito remoto (no caso da Serra das Arraras em 1967, o rompimento do Açude de Orós não fica tão longe assim.

Para darmos uma ideia do ocorrido, o número de atingidos por este rompimento em 1960, quando a população do Ceará era aproximadamente 3,3 milhões de pessoas (3 337 856), e para esta população o número de atingidos estimados na época foi de 170.000 pessoas. As estimativas do número de mortos no evento varia entre zero, estimativas oficiais, 50 ou 100 em publicações técnicas. Pelos números dá para se ver que estas estimativas, caracterizadas por números redondos (0, 50 ou 100) são meras especulações que contaram somente o número de afogados e não todas as pessoas que viviam em condições de extrema miséria e morreram tanto por afogamento como por fome e doenças geradas por veiculação hídrica.


Os relatos técnicos sobre o rompimento deste açude parece perdido na história, encontra-se alguns detalhes na web página do DNOCS dedicado a este açude. Para uma informação mais correta, vou simplesmente copiar aqui o que está escrito sobre o incidente.


"....Os técnicos do DNOCS elaboraram, então, dois anteprojetos para barragem em arco, com fundação sobre rocha: um em concreto gravidade e outro em maciço zoneado com argila, areia e enrocamento.

Motivos de ordem econômica e a disponibilidade de equipamento procedente da barragem de Araras, recém-concluída, induziram à elaboração da segunda alternativa de projeto, ou seja, a construção de uma barragem de terra zoneada.

Em outubro de 1958 foram escavadas as fundações, ficando prontas para receber o maciço previsto no projeto, tão logo cessassem as chuvas do ano seguinte.

O Engº José Cândido Castro Parente Pessoa, Diretor Geral do DNOCS à época, então determinava: "para realizar a construção do Orós em ritmo econômico, esta obra precisa ser levantada até a cota do coroamento (cota 209) entre junho de 1959 e março de 1960." E completava: "tão logo seja atingida a cota 185, todo o equipamento disponível para perfuração será localizado na área do vertedouro."

Em 1960, equipamentos de terraplenagem trabalhavam 24 horas por dia. As chuvas que chegaram bastante tardias e fracas no início desse ano, intensificaram-se em março de maneira violenta e passaram a comprometer o maciço em construção, pois o túnel, previsto para tomada d'água, não dava vazão suficiente àquela cheia excepcional.

A barragem ainda nem alcançava a cota 190 quando, com o recrudescimento das chuvas torrenciais, as águas começaram a lavar o maciço aos 17 minutos do dia 26 de março.

Diversas soluções foram intentadas durante a iminência do transbordamento. Com o início da extravasão das águas, julgou-se mais recomendável controlar o acidente. Para tanto, iniciou-se a abertura de uma vala no maciço, por onde a água passou a fluir em catarata, erodindo seu próprio vertedouro até a fundação da barragem e levando seu coroamento....."

Pode-se depreender que:

Primeiro: As soluções sugeridas pelos técnicos do DNOCS não foram as adotadas, partindo-se para uma terceira solução.

Segundo: Que o Diretor Geral do DNOCS tinha conhecimento que a obra deveria no mês de março de 1960 estar na cota 209m (cota de coroamento) e provavelmente por decisões políticas que retardaram as verbas (isto é uma hipótese) no mês previsto a barragem estava abaixo da cota 190, ou seja no mínimo 19 metros abaixo da cota de segurança.

Também se pode por outras fontes testemunhais ouvir uma história diferente, no Blog Ceará Fotos e História o relato já é outro, também vou coloca-lo como está escrito neste blog.

"Em 1960, com as obras ainda em andamento, a população ribeirinha viveu momentos dramáticos, quando em decorrência de uma grande cheia o Rio Jaguaribe transbordou e provocou o arrombamento parcial do Açude Orós, provocando uma enchente capaz de inundar o Médio e o Baixo Jaguaribe.

Logo a notícia logo se espalhou, e as cidades de Russas, Aracati, Itaiçaba, Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Icó e o distrito de Alto Santo, de nome Castanhão,  foram evacuadas com o auxilio de tropas do exército.

Estima-se que cerca de dez mil pessoas, não tiveram tempo de fugir e ficaram  isoladas, e a sobrevivência passou a ser uma questão de sorte,  diante da aproximação rápida das águas enfurecidas do Rio Jaguaribe. Os moradores acuados se amontoavam nos lugares mais altos, como Poço Comprido, São João do Jaguaribe, Ilha Grande, Quixeré e Tabuleiro Alto, em Russas. Precisamente às 10 horas do dia 26 de março um terrível estrondo foi ouvido a grande distância, e as águas armazenadas no gigantesco açude ultrapassaram o nível da barragem e invadiram toda extensão do Vale do Jaguaribe.  A enxurrada  destruiu o que encontrava pela frente, levando de roldão povoações, cultivos, propriedades e criações deixando como rastro, a morte, a miséria e o desabrigo, que vitimaram mais de trezentas mil pessoas."

As histórias não são bem as mesmas, uma é de um arrombamento controlado que era previsto e não foi evitado por problemas não detalhado na história e outro de uma ruptura não controlada que lavou parte do planície de inundação levando propriedade e pessoas.

Após o grande acidente, com prejuízos incalculáveis a população o senhor presidente da República na época, o médico Juscelino Kubitschek de Oliveira, ordenou que o açude fosse reconstruído o mais rápido possível. Numa notícia de jornal da época (também não achei direito a fonte), nara-se um diálogo entre o presidente da República e o Diretor do DNOCS, que vemos a seguir:


Até que ponto esta notícia é verdadeira, não é possível se determinar, mas devido a isto o Açude de Orós foi rebatizado Barragem Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, e muitas fotos da sua visita são encontradas na rede, bem mais do que o acidente propriamente dito.


08 setembro 2012

A história plastificada.


As gerações de 60 e 70 não concordavam com o passado, resistiram, lutaram e até de certa forma perderam. Não concordavam com o passado, mas o conheciam, agora estamos noutro patamar, as gerações atuais, não concordam, mas também não discordam, porque o passado para eles não existe.

As novas gerações possuem o twitter, o facebook e outros, seguem o presente na ânsia de conhecer o futuro, mas esquecem que muito do futuro depende do passado. Passado para muito da atual geração é algo que ocorreu na semana passada, não no mês passado, nem muito menos no ano passado.

O imediatismo da comunicação, a quantidade de informações os impede de se preocupar com o ocorrido há dez, vinte ou trinta anos, não há tempo para verificar o que ocorre e muito menos o que ocorreu.

Segue-se ou curte-se, não se reflete!  O importante é olhar a foto ou o assunto da semana no seu facebook, nem os blogs de maior discussão estão prosperando. Pedir para alguém refletir  sobre o que ocorreu na década de sessenta ou setenta é impossível.

Plastificou-se a história, o que existiu no passado é um produto, um produto que é vendido processado, embalado e plastificado, uma visão falsa, mas palatável aos gostos do grande público.

Não que a informação não existe, ela existe e cada vez mais, e por mais paradoxo que seja, quanto mais informações existem, menos as pessoas se informam.

Seres jurássicos e anacrônicos, velhos de barbas brancas transitam por aí, poderiam estes, mesmo ultrapassados, numa verdadeira regressão aos tempos da cultura meramente oral, informar o que ocorreu ou o que pensavam os demais no passado. Porém, assim como as gerações de 60 e 70 não desejavam seguir o caminho de seus antepassados, as gerações atuais não querem saber do que passou, porque elas terão que nos próximos 15 minutos, seguir inúmeros twitters e curtir um número maior de fotos.

03 setembro 2012

O oportunismo eleitoral e a vida.


No ano passado as grandes revistas de automobilismo nacional fizeram sérias reportagens sobre a fragilidade dos carros nacionais demonstradas nos testes de Crash promovidos pela Latin NCAP, esta instituição formada da iniciativa conjunta da Federação Internacional do Automóvel (FIA), a Fundação FIA, a Global New Car Assessment Programme (GNCAP), a Fundação Gonzalo Rodríguez, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a International Consumer Research & Testing (ICRT), tem por objetivo acabar por vários lados o verdadeiro banho de sangue que é nosso trânsito tanto pela irresponsabilidade de nossos motoristas como da PÉSSIMA QUALIDADE EM QUESTÃO DE SEGURANÇA dos carros fabricados na América Latina.



Conforme David Ward, membro da Global NCAP, os modelos vendidos na AL podem até ter o mesmo nome dos modelos vendidos na Europa e USA, entretanto a maioria deles, quando é de venda exclusiva para oferecidos América Latina estão 20 anos atrás dos europeus e norte-americanos. As palavras textuais do secretário geral da Global NCAP foram: "Um dos problemas é que hoje não existe uma normatização em relação à segurança. A exigência de airbag e ABS a partir de 2014 é um começo. Mas as autoridades deveriam criar a legislação e oferecer acesso à informação, para que a segurança seja mais cobrada".
Importante notar que os modelos que tem sua comercialização no Brasil e exterior (Europa e USA) são devidamente depenados de itens de segurança como freios ABS e Air Bag, para ficarem mais acessíveis ao público. Esta falácia é desmentida no momento que um carro completo (completo significa um monte de itens supérfluos a segurança, mas indispensáveis aos “inteligentes” compradores latino-americanos).
Ar condicionado, direção hidráulica, vido elétrico, rodas de aro leve e outras bobagens, transformaram-se em definição de um carro “completo”, AirBag e ABS são frescuras segundo alguns Airton Sennas de plantão.

Agora, além da irresponsabilidade das autoridades federais, que para não perder um pouco do PIB devido uma provável e não confirmada perda nas vendas, não aumenta os graus de exigência nas normas de segurança, temos uma nova figura, o candidato a prefeito que quer acabar com multas por excesso de velocidade.

A proposta deste IMBECIL (vou usar palavras fortes, porque não há outra qualificação) é substituir as multas por educação. Provavelmente quando passar um automóvel frente a uma escola com o dobro da velocidade permitida, virá um agente de educação que solicitará gentilmente que o louco pare, e durante alguns minutos falará sobre o perigo que ele está levando as criancinhas.

Como o processo de educação é algo demorado, talvez lá pela vigésima segunda vez que o motorista passe pela escola ele se convença que deva ir mais devagar, talvez se tenha sorte que até lá ele não tenha matado alguém.

Se precisarmos alguma coisa neste país é de leis mais duras e maiores punições, enquanto países com grau de escolaridade média o dobro ou mais que o nosso e extremamente democráticos, colocam na cadeia infratores deste tipo, sem a mínima rejeição pública, este candidato a prefeito procura na liberação do HOMICÍDIO por atropeladores e outros tipos, achar um nicho eleitoral para sua campanha.

Escrevo este texto em homenagem aos meus dois maiores amigos, que perderam a vida em acidentes de automóvel.

29 junho 2012

Benefícios do transporte coletivo. Isto não tem preço.


Enquanto se fica discutindo o custo do transporte de Metrô nas grandes cidades, mostrando que os BRTs são a oitava maravilha do mundo, uma equipe de pesquisadores da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), publicou um fantástico trabalho intitulado “Evaluation of the air quality benefits of the subway system in São Paulo, Brazil” na revista “Journal of Environmental Management” (AQUI) Este artigo talvez venha se tornar um novo marco nas discussões do transporte público no Brasil.

Muito se fala no benefício do Metrô em termos de melhoria da mobilidade, mas sempre se contrapõe as vantagens desta forma de transporte ao custo de implantação (ou de sistemas não movidos a motor de combustão interna), com isto se justifica soluções de terceiro mundo para nossas cidades, como os BRTs. Este trabalho terá a possibilidade de mostrar que para a escolha de transportes movidos a eletricidade (Metrô, VLTs e Aeromóvel - no caso gaúcho) deve ser considerado bem mais do que mero custo de implantação.

A partir de dados de qualidade de ar que foram medidos durante greves do Metrô paulista em 2003 e 2006, eles verificam a variabilidade da qualidade do ar com e sem Metrô, eles verificaram que esta  variabilidade é espantosa. No momento que o Metrô para, naturalmente ele é substituído por outros meios de transporte (veículos particulares, ônibus e vans) movimentados por motores de combustão interna que aumentam a quantidade de poluentes no meio ambiente.


O fator mais  importante avaliado no estudo foi a presença de particulados no ar, a concentração dos particulados aumentou (PM10)  de 41,15mg/m³ para 101,49mg/m³ na greve de 2003 e de 43,99mg/m³ para 78,02mg/m³ na de 2006 (estimou-se que em 2006 a frota estava mais moderna e por isto não aumentou tanto a poluição).

Com estes valores eles estimaram o aumento de problemas cardio-respiratórios, e principalmente as mortes que causam estes problemas, eles atribuíram que das 56 e 67 mortes ocorridas no período por complicações cardio-respiratórias 8 e 6 (2003 e 2006) poderiam ser atribuídas a piora das condições ambientais. No trabalho são mostrados gráficos de monitoramento da qualidade do ar e estes gráficos deixam claro de forma inequívoca a correlação entre a parada do Metrô e a piora da qualidade do ar.

Através de estimativas conservadoras, foram avaliadas perdas econômicas (por diminuição de  produtividade e óbitos), mostrando que o uso do Metrô produz uma economia anual entre US$13.000.000.000,00 a US$18.000.000.000,00 por ano (não errei nos zeros, são 13 a 18 bilhões de dólares!!!), só no aspecto de saúde pública. Os autores chamam atenção que as perdas econômicas causadas pelo aumento dos engarrafamentos nem foram levadas em conta, mas se agregassem isto ao estudo, o cenário favorável ao uso do Metrô ainda aumentaria mais.

Chamo a atenção, que no momento que tentam nos empurrar goela abaixo os famosos BRTs para as cidades brasileiras, em contraposição ao transporte por Metrô, VLTs e Aeromóvel, não é levada em conta no cotejamento de soluções os problemas de saúde pública causados pela poluição e gerados pelos motores de combustão interna dos automóveis, ônibus, lotações e BRTs. Em nenhum momento à poluição ZERO dos veículos movidos a tração elétrica  (que até podem ser um pouco mais caros) é levada em conta, porém a saúde e a vida da população não tem preço.

14 maio 2012

Um Blog não é um artigo científico!

Hoje em dia na Internet há centenas de Blogs que falam sobre assuntos científicos, a maior parte desses replica informações saídas na imprensa, pinçando as notícias que são mais de acordo com a linha editorial do Blog (os Blogs têm, na maior parte, linhas editoriais mais claras que até mesmo as revistas e jornais comuns). Este processo muitas vezes é proveitoso, principalmente quando a fonte secundária (artigos de jornais e revistas) são escritas por pessoas que conhecem mais ou menos o assunto (jornalistas especialistas em ciências, pouco existentes em nossas redações), entretanto há alguns desvios que induzem o leitor a erros graves.

O erro mais nefasto, é quando a linha editorial das fontes ou do Blog, propriamente dito, prioriza a prova de suas teses em relação ao que está escrito no artigo de origem, muitas vezes as informações são truncadas editadas e a fonte não é colocada. Nestes blogs aparecem coisas como:

- Cientistas dinamarqueses dizem que....

Sem citar o nome dos cientistas, sem a origem da informação, se foi uma revista, um livro, um congresso ou simplesmente uma entrevista em outro órgão de imprensa, esta afirmação pode ou não ter alguma validade, mas devemos simplesmente desconfiar do que está escrito!



......Press Released de laboratório ou até de um cientista que queira divulgar em primeira mão....

..........Má compreensão tanto pela origem como pelo fim .........

.........O blogueiro se metendo de pato a ganso...............

..........A falta de informação sobre a origem.......

..........a tentativa de escrever algo que se assemelhe a um artigo técnico..........


Porém acho que esta discussão deve ser começada, pois passar de algo que procura divulgar a ciência (vulgarização científica) para achar que isto é divulgação científica é uma nuance, mas é importante.

03 março 2012

Mais uma vez com as Eólicas, agora falando da “eficiência alemã”.


Dentro do espírito de cachorro vira-lata, que o brasileiro cultua, falamos da grande capacidade do povo alemão em matéria de organização e previsão em longo prazo. Mas será que é assim mesmo?

A primeira ministra alemã, Angela Merkel, prometeu logo depois do desastre de Fukushima no Japão não construir novas usinas nucleares na Alemanha e na medida em que as mesmas forem chegando ao fim de seu prazo de validade ir desativando-as e substituindo por fontes alternativas de energia.

Após o rompante ecológico de Merkel começam a surgir fortes dúvidas no seu país para obter esta tarefa. Segundo o cronograma as usinas eólicas, os biodigestores e as fotovoltaicas deveriam substituir as atômicas. 

O plano previa para em 2035 estar gerando 35% da carga total acrescendo 15% do que é gerado atualmente, para produzir energia mais estável (sem tanta variação no regime de ventos) grande parte das eólicas deverão ser usinas “offshore” (alto mar), mas exatamente nestas que estão surgindo os problemas.


O primeiro problema que surgiu foi da incapacidade dos fornecedores em entregar a tempo os cabos para ligar os geradores eólicos ao continente estando, por exemplo, as plataformas de HelWin1 e HelWin2, que deveriam começar a funcionar em 2012 com o seu prazo de funcionamento com 12 ou 18 meses de atraso. Das 10.000 turbinas eólicas que deveriam ser construídas para 2030 apenas 27 estão prontas e os 25.000MW até agora estão sendo gerados 135MW.

Além dos problemas dos cabos a tecnologia para instalação das torres no Mar do Norte (sujeito a fortes tempestades no inverno) não está perfeitamente equacionada, dos doze meses do ano as empresas que estão instalando os geradores eólicos só estão conseguindo trabalhar dos meses de maio a setembro, ou seja, seis meses por ano.

A choradeira dos fornecedores é tanta que as promessas de financiamento dos parques eólicos estão diminuindo, dos 86 projetos apresentados apenas 24 foram aprovados e apenas 4 estão em operação (os em regiões mais favoráveis).

Com tudo isto a indústria alemã começa a fechar algumas fábricas tradicionais (Usina Krefeld de aço inoxidável da Thyssen-Krupp, que foi vendida para os concorrentes, e será fechada no final do próximo ano).

A energia solar também não vai muito bem das pernas, o sol está meio que falhando na Alemanha, em janeiro deste ano os 1,1 milhões de coletores solares praticamente geraram zero em energia, para complementar o que não existe, energia elétrica está sendo importada da França e da República Checa ou também estão religando antigos geradores a óleo diesel. Isto tudo ocorre apesar de até 2011 já se tenha investido nada mais nada menos do que 100 Bilhões de Euros. A energia solar consome na Alemanha (Lei de geração de renováveis – 20 anos de produção até 2007).

A geração de energia solar, no momento que começou a ser sugerida como umas das alternativas para a indústria começaram a aparecer os custos escondidos. O Rhine-Westphalia Institute for Economic Research (RWI) calculou a fatura que será apresentada aos consumidores somente para os subsídios das instalações conectadas em 2011, o valor é de 18 bilhões de Euros em 20 anos. O RWI calculou o impacto da energia solar nas famílias alemãs, resultando num sobrepreço de 200 Euros por ano (além do custo da eletricidade).

Em resumo, atualmente o preço da energia na Alemanha é de 16,7 Euros/KWh, só perdendo para a Dinamarca (campeã mundial em energias alternativas – 20,6 Euros/kWh) e para a Itália (17,5 Euros/KWh), se for retirado a produção nuclear aumenta até 2020 em 20% o preço, ultrapassando a Dinamarca e inviabilizando parte da indústria Alemã.

22 janeiro 2012

Alemanha adota a técnica de bota e tira o bode da sala para resolver o problema energético. CONTINUAÇÃO

Conforme escrevi em maio do ano passado a aventura da Alemanha se aventurar a substitur toda a energia nuclear por energia “limpa” parece começar a fazer água.

Passado o momento inicial de constrangimento da energia nuclear o pessoal começou a fazer as contas e parece que elas coisas não fecham. A Siemens calculou o investimento necessário para fazer frente a todo este sonho resultaram em nada mais nada menos 1,7 trilhões de Euros (aproximadamente 4,5 Bilhões de Reais), ou seja 2/3 do PIB alemão.

O interessante é que no momento começam a falar na utilização do gás que a conversão custaria em torno de 1,4 bilhões de Euros, exatamente como previ, colocaram o bode na sala e agora começam a mostrar as alternativas.

Estamos esperando o próximo passo, o início de projetos para a construção de usinas de geração de energia termoelétricas a gás.

Pequenas recomendações sobre a educação nas redes sociais.

No século passado, antes da existência das chamadas redes sociais, as pessoas eram muito mais sociabilizadas do que atualmente, a impess...