20 março 2011

Esconder desastres não é novidade?


Como queria mostrar os problemas que surgem nas obras hidráulicas em relação aos acidentes em usinas nucleares, procurei na Internet algumas figuras e fotos recentes de grandes desastres ocorridos em barragens, para meu espanto, vejo que há uma verdadeira cortina de fumaça que se faz sobre os grandes desastres em obras de engenharia.

Para ficar nos exemplos que conheço mais, vejamos alguns exemplos. A barragem de Benqiao na China. Esta barragem foi construída em 1951 logo depois da segunda guerra sem grandes dados hidrológicos que permitissem o dimensionamento correto do vertedor, tinha por objetivos gerar energia e defender os habitantes do vale do rio Ru de cheias periódicas que matavam milhares de pessoas.

Barragem de Benqiao depois de rompida.


Em 1975 após longas cheias o vertedor desta barragem foi insuficiente e rompeu, causando um número de mortes que beirou as 145.000 pessoas logicamente num país que tem 80.000 barragens e com a precariedade material e técnica da época era de se esperar algum problema, mas as autoridades esconderam o que puderam o desastre até mais ou menos 1995, quando se começou a ver a morbidade da ruptura da barragem.

O mais enigmático é o caso da barragem de Morvi ou Morbi na índia em 11 de agosto de 1979, onde a barragem no rio Machhu rompeu e há estimativas de mortos que variam de 1500 a 15000, ou seja, não se contou nada nem se estimou bem. Esta barragem também estava com seu vertedor com uma vazão para 5600m³/s e passou uma vazão em torno de 16300m³/s.

Ilustração de uma publicação da Índia sobre o rompimento da barragem (o desenho não foi feito por nenhum especialista!)



Acidentes como estes (com um número muitas vezes menores do óbitos) ocorrem todos os anos no Brasil e no mundo, principalmente pelo número de barragens para os mais diversos fins que existem no mundo inteiro, conforme o porte das barragens poderíamos dizer qualquer número. Grandes barragens, segundo o critério da Comissão Internacional de Grandes Barrragens como a altura superior a 15m podemos pensar em 50.000 barragens. Porém se formos um pouco mais elástico e considerarmos barragens menores com capacidade de gerar grandes problemas este valor pode ser quase multiplicado por 10,

Logo com este número estúpido de estruturas, o mais normal que se encontre alguns projetos mal feitos, alguns empreiteiros desonestos e muitos políticos apresados em inaugurar uma obra na sua gestão. Cada caso é um fator de risco na segurança dessas estruturas, logo esconder os desastres é não permitir que as próximas gerações de técnicos apreendam com estes.

Pequenas recomendações sobre a educação nas redes sociais.

No século passado, antes da existência das chamadas redes sociais, as pessoas eram muito mais sociabilizadas do que atualmente, a impess...